Julgamento Musk x OpenAI: os principais acontecimentos da primeira semana no tribunal

A primeira semana do julgamento que opõe Elon Musk à OpenAI, na corte federal de Oakland, Califórnia, terminou com o depoimento do bilionário, que passou três dias consecutivos como testemunha. O caso, movido por Musk em 2024, acusa Sam Altman e Greg Brockman de terem desviado a OpenAI de sua missão original sem fins lucrativos para priorizar lucros comerciais bilionários. O processo pede reparações financeiras, o desmembramento da estrutura lucrativa da empresa responsável pelo ChatGPT e a saída da atual liderança.

A juíza Yvonne Gonzalez Rogers dividiu o rito em duas fases: uma de responsabilidade (prevista para terminar em 21 de maio) e outra de reparação. Um júri de nove pessoas acompanha os depoimentos de forma consultiva, mas a decisão final caberá à magistrada. O caso acontece num momento em que tanto a SpaceX quanto a OpenAI preparam ofertas públicas iniciais (IPOs) que podem bater recordes globais de avaliação.

Musk alega missão ética, mas e-mails indicam intenção de controlar a OpenAI
Em seu depoimento, Musk afirmou que a OpenAI “roubou uma instituição de caridade” ao se transformar numa empresa privada avaliada em mais de US$ 850 bilhões. Ele disse que se sentiu “o tolo” que financiou o projeto inicial sob a promessa de código aberto, apenas para ver a tecnologia ser entregue ao lucro privado da Microsoft.

No entanto, a defesa da OpenAI contra-atacou usando e-mails do próprio Musk. Mensagens de 2017 e 2018 mostraram que ele propunha fundir a OpenAI com a Tesla, usando a montadora como “vaca leiteira” para financiar o desenvolvimento. Outras evidências revelaram que Musk sugeriu uma tabela de capital em que ele teria 51,20% das ações da OpenAI, contradizendo seu discurso de altruísmo. A defesa também questionou o timing da ação: por que Musk esperou quatro anos após a parceria com a Microsoft, em 2020, para processar a empresa? O advogado da Microsoft destacou que o bilionário continuou doando fundos mesmo depois que a transição para o modelo lucrativo se tornou pública.

Confissão sobre o Grok e veto ao “apocalipse da IA”
Um dos momentos mais críticos foi a admissão de Musk de que sua startup, a xAI, usou tecnologia da OpenAI para treinar o chatbot Grok. Ele confessou que é “em parte” verdade que sua empresa praticou a “destilação de modelos” — técnica que, segundo Musk, é um “padrão da indústria”, mas que concorrentes como Google e Anthropic classificam como roubo de propriedade intelectual.

Outro ponto importante foi o depoimento de Jared Birchall, executivo que opera a fortuna de Musk. Ele confirmou que, entre 2016 e 2020, o empresário fez cerca de 60 contribuições, totalizando US38milho~es—valorbemabaixodapromessainicialdeUS38milho~esvalorbemabaixodapromessainicialdeUS 1 bilhão. A defesa da OpenAI usou esse dado para enfraquecer a imagem de Musk como o grande financiador da empresa. Além disso, argumentou que as doações foram feitas por meio de Fundos de Doadores (DAFs), o que, juridicamente, faz com que o doador perca o direito de ditar como os recursos serão usados pela entidade beneficiada.

Por fim, a juíza Yvonne Gonzalez Rogers proibiu qualquer menção a “riscos existenciais” ou extinção humana causada pela IA no tribunal, afirmando que o local não é para “roteiros de ficção científica”. A decisão esvazia um dos principais argumentos públicos de Musk, que frequentemente usa o “apocalipse da IA” para justificar suas críticas à OpenAI e à Microsoft.

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