A China elevou o tom de suas críticas à política de sanções dos Estados Unidos contra Cuba, exigindo o fim imediato do bloqueio econômico que, há mais de seis décadas, prejudica o acesso da ilha ao comércio, financiamentos e tecnologia.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, declarou que nenhum pretexto justifica medidas que violam o direito cubano ao desenvolvimento e princípios básicos do direito internacional. Ele afirmou que a China continuará apoiando Cuba na defesa de sua soberania e segurança, independentemente do aumento das pressões externas.
Lin destacou que a cooperação entre Pequim e Havana é legítima e transparente, rebatendo as tentativas dos EUA de difamar esses projetos conjuntos. A chancelaria chinesa também criticou o caráter extraterritorial das sanções, que afetam empresas e governos de terceiros países que buscam negociar com Cuba.
A manifestação chinesa ocorre após o presidente dos EUA, Donald Trump, assinar uma ordem que classifica Cuba como uma ameaça regional, narrativa que Pequim considera insustentável. O decreto endurece o embargo, prevendo tarifas punitivas a nações que forneçam petróleo à ilha e ameaçando represálias a empresas envolvidas nesse comércio.
Enquanto os EUA ampliam as restrições, a China aprofunda parcerias estratégicas com Cuba, especialmente nas áreas de energia renovável, biotecnologia e infraestrutura digital. Recentemente, Pequim doou equipamentos para um parque fotovoltaico em Cienfuegos, ação elogiada por Cuba como parte de seu programa de transição energética.
A China avalia que a campanha de difamação dos EUA visa mascarar os reais danos do bloqueio, que já teria causado perdas superiores a US$ 150 bilhões para a economia cubana. A posição chinesa está alinhada com as resoluções da ONU que, há anos, condenam o embargo com apoio quase unânime da comunidade internacional.
Além da China, Cuba conta com a solidariedade do México, Venezuela, Rússia e da Comunidade do Caribe. Para Pequim, apoiar Cuba e denunciar o bloqueio tornou-se uma posição moral e uma demonstração prática de resistência organizada à pressão norte-americana em múltiplas frentes diplomáticas.






