O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, respondeu duramente às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que sugeriu que os EUA poderiam “assumir” a ilha cubana.
Em uma publicação na rede social X, Díaz-Canel afirmou: “Nenhum agressor, por poderoso que seja, encontrará rendição em Cuba. Tropeçará com um povo decidido a defender a soberania e a independência em cada palmo do território nacional.”
O líder cubano classificou as falas de Trump como uma escalada “perigosa e sem precedentes” nas ameaças de agressão militar contra Cuba. Ele também fez um apelo à comunidade internacional para que tome posição sobre o caso.
” A comunidade internacional deve tomar nota e, junto ao povo dos EUA, determinar se se permitirá um ato criminoso tão drástico para satisfazer os interesses de um grupo pequeno, mas rico e influente, com ânsias de vingança e dominação”, declarou Díaz-Canel.
O contexto das ameaças
A declaração de Trump foi feita na sexta-feira (1º de maio), durante um evento na Flórida. Ao comentar a origem de um convidado, o presidente americano disse: “Ele vem originalmente de um lugar chamado Cuba, que nós vamos assumir quase imediatamente.”
Trump acrescentou que, após o fim da guerra contra o Irã, os Estados Unidos poderiam enviar um porta-aviões para se posicionar a cerca de 90 metros da costa cubana. “Vamos parar a cerca de 100 jardas da costa, e eles vão dizer: ‘Muito obrigado. Nós nos rendemos’”, afirmou, em fala que arrancou risos da plateia.
Parte da imprensa americana, incluindo a Associated Press, tratou a declaração como uma piada. Trump não deu detalhes se a fala representa um plano concreto.
Novas sanções e tensão crescente
As declarações ocorreram no mesmo dia em que Trump assinou um decreto endurecendo sanções contra Cuba, com foco em bancos estrangeiros que negociam com Havana e em setores estratégicos como energia e mineração. O presidente americano voltou a classificar a ilha como uma “ameaça extraordinária” à segurança nacional dos EUA.
As medidas se somam ao embargo econômico vigente desde 1962 e a restrições recentes ao envio de petróleo a Cuba, que têm agravado os problemas econômicos e energéticos na ilha.
O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, classificou as ações americanas como “medidas coercitivas unilaterais ilegais e abusivas”. Apesar da escalada da tensão, os dois países mantêm canais diplomáticos abertos – em abril, representantes dos dois governos se reuniram em Havana.
O anúncio das sanções coincidiu com o Dia do Trabalhador, quando o governo cubano convocou manifestações em todo o país sob o lema de defesa da soberania nacional.






