Relação entre Lula e Trump tem tarifaço, ‘química excelente’ e atrito por Ramagem

A relação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, marcada por altos e baixos desde o retorno do americano à Casa Branca em janeiro de 2025, terá um novo capítulo na quinta-feira (7/5). Após apuração da BBC News Brasil junto a fontes do governo brasileiro, os dois líderes devem se encontrar em Washington, um encontro que vinha sendo discutido há meses e foi adiado devido à guerra entre EUA e Irã.

Um dos primeiros grandes atritos ocorreu em julho de 2025, quando Trump impôs um “tarifaço” de 40% sobre diversos produtos brasileiros, enquadrando o país em uma lei para “ameaça incomum e extraordinária”. A Casa Branca justificou a medida citando uma suposta “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e, no mesmo pacote, anunciou sanções contra o ministro do STF, Alexandre de Moraes, e sua mulher, aplicadas em setembro pela Lei Magnitsky.

Apesar da tensão, em setembro de 2025, durante a Assembleia Geral da ONU em Nova York, Lula e Trump tiveram um primeiro encontro que o americano classificou como de “química excelente”. A partir dali, os dois trocaram elogios, três telefonemas e um novo encontro na Malásia, o que levou os EUA a reduzirem parte das tarifas e, em dezembro, a retirarem Moraes da lista de sancionados.

A aproximação não eliminou divergências profundas. O Brasil condenou os ataques americanos e israelenses ao Irã, criticou o Conselho da Paz criado por Trump e, em março deste ano, foi incluído em uma investigação dos EUA sobre supostas práticas comerciais irregulares – o segundo procedimento do tipo, que pode resultar em novas tarifas. Outro ponto de tensão foi a possibilidade de Washington classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, o que o governo brasileiro rejeita por temer intervenções e uso político.

O episódio mais recente de ruído ocorreu no mês passado, com a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) – condenado pelo STF e foragido nos EUA – por agentes do serviço de imigração americano (ICE). Sob pressão da ala bolsonarista, Ramagem foi solto dois dias depois, e o governo Trump chegou a solicitar a saída do oficial de ligação da Polícia Federal na Flórida, acusando-o de tentar “manipular” o sistema de imigração.

A polícia brasileira defendeu a cooperação internacional, mas fontes ouvidas pela BBC indicam que o alto comando dos EUA pode não ter tido conhecimento prévio da ação. O caso expôs mais uma vez a fragilidade na extradição de condenados brasileiros nos Estados Unidos e revelou que, mesmo com a “indústria petroquímica” entre Lula e Trump, a relação segue marcada por desconfiança e crises recorrentes.

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