A investigação sobre a morte da estudante brasileira de medicina Julia Vitória Sobierai Cardoso, de 23 anos, entrou em nova fase após a perícia detalhar a dinâmica do crime e confirmar sinais de luta no apartamento onde o corpo foi encontrado, em Ciudad del Este, no Paraguai. O conjunto de evidências reforça a classificação do caso como feminicídio e intensifica a busca pelo principal suspeito, o ex-namorado da vítima, Vitor Rangel Aguiar, de 27 anos, que segue foragido.
O laudo técnico apontou que Julia sofreu 67 golpes de arma branca. Segundo a médica legista Raquel Cáceres, 60 perfurações foram provocadas por uma tesoura de cutícula e outras sete por uma faca. Dois dos ferimentos atingiram o pescoço. Os objetos foram localizados dentro do imóvel e apreendidos para análise.
Vestígios encontrados na cena reforçam a hipótese de confronto físico. A perícia identificou pegadas de calçados e de pés descalços, marcas em móveis e vidros, além de grande quantidade de sangue espalhado pelo ambiente. A descrição é confirmada pelo promotor paraguaio Osvaldo Zaracho, que acompanhou os trabalhos no local. “Há pegadas de calçados e de pés descalços, rastros em vidros e móveis, além de manchas de sangue.”
O corpo foi encontrado por vizinhas por volta das 19h de sexta-feira, 24 de abril, no apartamento do edifício El Galo, no bairro Obrero. A estimativa das autoridades é de que o crime tenha ocorrido cerca de sete horas antes, por volta do meio-dia.
Depoimentos colhidos pela investigação indicam que houve uma discussão no interior do imóvel horas antes da morte. Segundo o Ministério Público paraguaio, o relacionamento entre Julia e o suspeito havia terminado meses antes, mas ele teria retomado o contato sob o argumento de amizade. “Segundo uma companheira de quarto, eles tinham terminado o namoro há aproximadamente cinco meses. Porém, ele voltou a se aproximar como amigo e hoje ocorreu esse fato”, relatou o promotor Osvaldo Zaracho ao jornal ABC Color.
As diligências avançam em duas frentes. De um lado, equipes policiais realizam buscas em endereços ligados ao suspeito. De outro, a investigação analisa provas materiais e dados extraídos de aparelhos eletrônicos. O celular de um familiar de Vitor foi apreendido para auxiliar na reconstrução dos últimos passos do investigado. Há articulação para emissão de alerta internacional de captura, enquanto forças de segurança da região de fronteira atuam de forma integrada.
Natural de Chapecó, em Santa Catarina, Julia viveu por anos em Navegantes e se mudou ao Paraguai em 2025 para cursar medicina na Universidad de la Integración de las Américas. Amigos e familiares têm usado as redes sociais para cobrar justiça e manter o caso em evidência. A amiga Sara Cazarotto destacou o perfil da estudante e os planos interrompidos. “Ela era muito esforçada e estudiosa, era o sonho dela viver essa promessa, ela amava crianças! Ela sempre quis construir a família dela e um dia ser mãe, e ele tirou tudo isso dela.”
A comoção se soma à pressão por respostas rápidas. Enquanto a perícia ajuda a esclarecer a dinâmica do crime, o paradeiro do suspeito se torna o principal foco das autoridades. A expectativa é de que novas informações surjam a partir da análise de provas e do cruzamento de dados coletados nos últimos dias.







