Documento obtido pelo Intercept Brasil mostra pagamento internacional via sistema SWIFT; recurso teria como destino a produção da cinebiografia “Dark Horse”
O portal Intercept Brasil divulgou nesta terça-feira (9) um comprovante de transferência bancária que indica o envio de **US2milho~es∗∗(cercadeR2milho~es∗∗(cercadeR 11 milhões) a um fundo controlado pelo advogado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O pagamento teria como objetivo financiar o filme “Dark Horse”, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo a publicação, a operação foi realizada em 13 de fevereiro de 2025 por meio do sistema SWIFT – utilizado para transferências internacionais entre instituições financeiras. O remetente foi a empresa Entre Investimentos e Participações Ltda., e o destinatário, o Havengate Development Fund LP, fundo controlado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.
O documento, de acordo com o Intercept, seria a primeira transferência internacional para bancar a produção do longa-metragem sobre o ex-presidente, atualmente preso por tentativa de golpe de Estado.
Conversas indicam articulação entre banqueiro e operador
O comprovante teria circulado em conversas entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e Fabiano Zettel – este preso na Operação Compliance Zero e apontado como responsável por pagamentos do esquema de intimidação de adversários conhecido como “Turma”. Zettel teria enviado a imagem a Vorcaro acompanhada da mensagem: “Filme!”.
As conversas indicam que eles combinaram de recorrer à estrutura da Entre Investimentos como forma de viabilizar a remessa, já que o Banco Master inicialmente impunha obstáculos ao câmbio. Apesar de Vorcaro e a empresa negarem vínculo societário, o Intercept afirma que documentos apontam ligação operacional e financeira entre o banqueiro e o grupo.
Cronograma de pagamentos também foi revelado
A reportagem do Intercept ainda trouxe à luz um cronograma de financiamento do filme, com 14 pagamentos previstos entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026. O documento teria sido enviado pelo empresário Thiago Miranda a Daniel Vorcaro.
Segundo a apuração, os valores efetivamente pagos até o momento somam **US10,6milho~es∗∗(R10,6milho~es∗∗(R 61 milhões), embora o cronograma original previsse quase **US24milho~es∗∗(R24milho~es∗∗(R 134 milhões). Vorcaro teria respondido a uma cobrança sobre parcelas atrasadas com: “Segunda fazemos duas”, sugerindo que novos desembolsos podem ter ocorrido.
Eduardo Bolsonaro nega irregularidades
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) – cassado e filho do ex-presidente – já havia negado, no mês passado, deter controle sobre os recursos do filme. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele afirmou não haver “nada de ilegal e irregular” no projeto cinematográfico.
Eduardo admitiu ter feito o primeiro investimento no projeto (cerca de US$ 50 mil, segundo ele) e, por isso, constou como produtor-executivo. Disse que, após montada a estrutura nos EUA, deixou a produção e cedeu seus direitos de imagem por meio de um novo contrato. Ele também voltou a negar ter recebido recursos ligados a Daniel Vorcaro, classificando as reportagens do Intercept como uma tentativa de “assassinar” a sua “reputação” e a do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O contexto do caso
Vazamentos recentes revelaram conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro nas quais o senador cobrava do banqueiro o equivalente a R$ 134 milhões para a produção de “Dark Horse”. Flávio confirmou ter recebido valores destinados por Vorcaro, mas defendeu que se tratava de dinheiro privado, investido em uma produção privada, sem uso de verbas públicas.
O filme “Dark Horse” é uma cinebiografia de Jair Bolsonaro, atualmente preso por tentativa de golpe de Estado. A produção tem gerado controvérsias políticas e financeiras, com investigações jornalísticas apontando possíveis irregularidades no financiamento e na movimentação de recursos para o exterior.







