Brasília – O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) adotou uma medida incomum nesta sexta-feira (24) ao negar a concessão de vistos a dois funcionários do governo dos Estados Unidos, que planejavam uma visita ao Brasil. A decisão ocorreu após a imprensa americana revelar que a missão teria como objetivo preparar um questionamento público sobre a integridade do sistema eleitoral brasileiro.
De acordo com uma reportagem do jornal The Washington Post, os americanos Riley Barnes, secretário-assistente para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, e Samuel Samson, subsecretário-assistente, são diretamente subordinados ao secretário de Estado, Marco Rubio, conhecido por seu alinhamento com setores da direita brasileira. A publicação indicou que a viagem fazia parte de um plano para semear dúvidas sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas e do processo de votação no país.
Nos bastidores, fontes do governo brasileiro avaliam que a missão serviria para dar um impulso internacional à campanha de desinformação que foi relançada recentemente. Essa ofensiva tem sido alimentada por declarações do pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, e do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que têm colocado em xeque a segurança do sistema de votação.
A negativa do Itamaraty foi recebida com alívio no meio jurídico e político. Ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF), ouvidos pela CNN em caráter reservado, classificaram a tentativa de enviar representantes estrangeiros para essa finalidade como uma “ousadia”. Eles enfatizam que, embora a presença de observadores internacionais seja uma prática comum e bem-vinda para fins de intercâmbio técnico, o contexto e os objetivos relatados para esta missão específica seriam inaceitáveis.
O episódio eleva a tensão diplomática em um ano decisivo para as eleições presidenciais no Brasil e expõe a sensibilidade do governo em relação a qualquer ingerência externa no processo democrático do país.






