Uma dívida de R$ 16 mil com agiotas teria sido o motivo de uma chacina que deixou três pessoas mortas e uma mulher ferida em Manaus. O crime aconteceu na manhã de segunda-feira (17), em uma residência no bairro São Jorge, na Zona Oeste da capital.
Segundo o delegado Ricardo Cunha, da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), o principal suspeito, identificado como Ezenilson Silva, de 43 anos, teria ido até a casa para pedir dinheiro a um dos moradores, o pastor Francisco das Chagas Moraes Santão, que era seu ex-sogro e costumava ajudá-lo financeiramente.
Ainda conforme a investigação, Francisco teria se recusado a entregar mais dinheiro. O pedido estaria relacionado a uma dívida de R$ 16 mil que o suspeito teria contraído com agiotas. Após a negativa, os dois teriam discutido.
De acordo com o relato apresentado pelo delegado, Ezenilson afirmou aos investigadores que “perdeu a cabeça” durante o desentendimento e matou o pastor. O ataque teria ocorrido enquanto as demais pessoas que estavam na residência dormiam.
Outras vítimas foram atacadas
Após matar Francisco, o suspeito teria atacado outras pessoas que acordaram com a movimentação dentro da casa. As vítimas fatais foram identificadas como Francisco das Chagas Moraes Santão, Guilherme Pereira Lima Filho, de 66 anos, professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), e Isabella Coelho Moraes, de 29 anos. Uma quarta vítima, Dilma Cilene Lima Sampaio, de 53 anos, também foi atacada, mas sobreviveu. Ela recebeu atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e foi encaminhada ao Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio. A polícia encontrou os três corpos dentro da residência. O imóvel foi isolado para a realização da perícia, com participação do Instituto Médico Legal (IML) e do Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC).
Suspeito foi preso horas após o crime
Ezenilson foi preso ainda na segunda-feira, horas depois do ataque. Segundo a Polícia Civil, ele teria colaborado com os investigadores durante o interrogatório e relatado detalhes sobre a dinâmica do crime. O suspeito também teria indicado o local onde descartou o objeto utilizado nos ataques. Segundo o delegado, o martelo teria sido jogado em um igarapé próximo à residência. A polícia chegou ao suspeito após receber informações e localizar uma peça de roupa semelhante à que ele teria usado no dia do crime. Após a prisão, houve uma concentração de moradores nas proximidades do local, com relatos de ameaças de linchamento.
Investigação continua
Apesar de a polícia já apontar a dívida como possível motivação, a investigação ainda busca esclarecer todos os detalhes do crime e a sequência exata dos acontecimentos. A Polícia Civil deve apresentar novas informações sobre o caso durante uma coletiva nesta terça-feira (18). As circunstâncias envolvendo cada uma das vítimas e a participação do suspeito continuam sendo apuradas. Até o momento, a principal linha apresentada pela investigação é de que o ataque começou após o pedido de dinheiro ser recusado pelo pastor, em meio à cobrança de uma dívida de R$ 16 mil com agiotas.







