A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro é responsável por 75 pedidos de registro de marcas no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) que utilizam ou fazem referência ao sobrenome do marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Os dados constam na base do órgão e mostram uma ampla variedade de produtos: cosméticos, café, coleiras, alimentos para animais, bananada, facas, bolsas de couro, instrumentos musicais, bebidas alcoólicas e até armas de fogo.
Entre as marcas solicitadas estão variações como “Bolsonaro”, “Bolsomito” e “Bolsonaro Mito”, além dos nomes completos “Jair Bolsonaro” e “Michelle Bolsonaro”. A maioria dos pedidos foi feita em 2024. Alguns já foram aprovados, como o registro de “Jair Bolsonaro” para perfumes e “Michelle Bolsonaro” para joias, ambos obtidos em 2026.
No entanto, nem todos os pedidos foram bem-sucedidos. No dia 2 de junho, o Inpi negou o registro da marca para bolsas de couro sob a justificativa de que Michelle “não exerce atividade lícita e efetiva compatível com os produtos/serviços reivindicados”. O pedido para “Bolsomito” voltado a armas de fogo, explosivos e munições também enfrenta obstáculos: o órgão exige comprovação de atuação comercial nesse setor, que depende de autorização do Comando do Exército.
O registro de uma marca não significa necessariamente que o autor queira explorar o produto imediatamente. Muitas vezes, trata-se de uma estratégia de proteção. Em nota divulgada em março, o PL Mulher afirmou que os pedidos têm o objetivo de “impedir que o nome de Michelle ou de Jair Bolsonaro sejam utilizados para venda de produtos que não condizem com os valores e princípios defendidos por ambos”.
O uso comercial do nome da família Bolsonaro não é novo. Em 2024, o maquiador Agustin Fernandez, amigo de Michelle, lançou um perfume com o nome do ex-presidente, atualmente esgotado. No mesmo ano, Eduardo Bolsonaro tornou-se titular da marca de vinhos “Bolsonaro ‘Il Mito'”, antes registrada por empresários. Já em maio deste ano, Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente e pré-candidato a deputado federal por São Paulo, registrou a marca “Clube Bolsonaro” para artigos de vestuário.







