O senador Flávio Bolsonaro divulgou uma carta pública na qual se autodenomina “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, faz acusações de fraude no processo eleitoral sem apresentar provas e confirma sua permanência nos Estados Unidos. No documento, ele afirma que pretende liderar a oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva a partir do território norte-americano e alega ser alvo de perseguição política no Judiciário brasileiro.
A carta chamou a atenção também por seus elementos visuais e formais. O cabeçalho apresenta a grafia “Brazil”, com a letra “Z”, e utiliza uma imagem do Brasão de Armas da República adotado em 1889, que traz a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, denominação oficial utilizada nos primeiros anos da República.
De “Estados Unidos do Brazil” a “República Federativa do Brasil”
A denominação “Estados Unidos do Brazil” foi instituída pelo Decreto nº 4, de 19 de novembro de 1889, poucos dias após a Proclamação da República, e incorporada à Constituição de 1891.
A escolha do nome refletia a organização federativa do novo regime republicano, inspirada, em parte, no modelo dos Estados Unidos da América. A proposta era substituir a estrutura monárquica por uma federação de estados com autonomia política e administrativa.
A denominação permaneceu em vigor até a Constituição de 1967, durante o regime militar, quando o país passou a adotar oficialmente o nome “República Federativa do Brasil”. A mudança consolidou a denominação atual, embora o grau de autonomia dos estados tenha variado ao longo da história republicana.
O uso da grafia “Brazil” na carta segue uma forma tradicional da língua inglesa, mas, no contexto do documento, ganha destaque por aparecer ao lado de um símbolo histórico da República brasileira.
O que diz a carta de Flávio Bolsonaro
No texto, o senador critica a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Entre os pontos levantados, menciona a ampliação do horário de votação em determinadas localidades e faz acusações de abuso de poder político e econômico durante a campanha eleitoral.
As declarações sobre supostas irregularidades no processo eleitoral são alegações do parlamentar e não devem ser tratadas como fatos comprovados sem evidências que as sustentem.
Flávio Bolsonaro também afirma que deixou o Brasil com a família para buscar o que chama de “segurança jurídica” nos Estados Unidos. Na carta, menciona o presidente norte-americano Donald Trump e o presidente argentino Javier Milei ao se referir ao apoio político que diz receber.
O senador nega ter fugido do país e afirma que não há mandado de prisão em aberto contra ele.
“Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece”, escreveu.
Uso de brasão histórico repercute
A utilização do Brasão de Armas de 1889 é um dos aspectos que mais chamam a atenção no documento. O símbolo foi instituído pelo Decreto nº 4, de 19 de novembro daquele ano, e apresenta a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, correspondente à denominação oficial adotada no início da República.
A referência histórica, combinada à grafia “Brazil”, diferencia visualmente a carta dos documentos políticos contemporâneos. O significado político específico dessa escolha, porém, não pode ser estabelecido apenas com base nos elementos gráficos apresentados.
Comparações históricas e oposição no exterior
Na carta, Flávio Bolsonaro compara sua saída do Brasil à trajetória de figuras históricas e políticas que atuaram fora de seus países de origem, como Rui Barbosa, Charles de Gaulle, José Martí, Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado.
Ao estabelecer essas comparações, o senador argumenta que a atuação política no exterior pode ser uma forma de manter a oposição ativa diante do que considera perseguição política em seu país.
A publicação reforça a estratégia anunciada pelo parlamentar de se posicionar como liderança da oposição ao governo Lula, mesmo permanecendo nos Estados Unidos. As acusações e comparações apresentadas no documento, contudo, refletem a interpretação política do próprio senador e devem ser avaliadas à luz dos fatos e das evidências disponíveis.







