O governo dos Estados Unidos, sob o comando do presidente Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (20) o indiciamento do ex-presidente de Cuba, Raúl Castro, de 94 anos, por seu suposto envolvimento no abate de aeronaves civis há três décadas. A informação, inicialmente divulgada pela agência Reuters, foi confirmada pelo procurador-geral interino Todd Blanche em um evento em Miami.
As acusações
Raúl Castro foi formalmente acusado de conspiração para assassinar cidadãos americanos, quatro homicídios e destruição de aeronaves. O caso remonta a 1996, quando jatos cubanos derrubaram dois aviões operados por exilados cubanos, matando quatro pessoas – três delas com cidadania norte-americana. “Os EUA e o presidente Donald Trump não esquecerão esses cidadãos”, afirmou Blanche, enfatizando que o ataque foi “intencionalmente premeditado”.
James Uthmeier, procurador-geral da Flórida, reforçou que as mortes não foram acidentais: “Raúl Castro ordenou aqueles caças para atacar civis desarmados.” Blanche foi além ao dizer que o indiciamento não é “para inglês ver” e prometeu levar Castro à Justiça: “Ele aparecerá aqui por vontade própria ou de outra forma.”
Pressão crescente
Além de Castro, outras cinco pessoas – incluindo um piloto de caça – também foram indiciadas. O governo cubano, por sua vez, reagiu com críticas. O presidente Miguel Díaz-Canel classificou a medida como “sem base jurídica” e uma manobra política. A acusação agora depende da aprovação de um grande júri para prosseguir.
O indiciamento ocorre em meio a uma intensificação da pressão dos EUA contra o regime comunista da ilha. A ação lembra a acusação por tráfico de drogas contra o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, que foi preso em janeiro. Em março, Trump já havia ameaçado que Cuba “seria a próxima” após a Venezuela. Hoje, o republicano chamou o país de “Estado pária que abriga militares hostis”.
Quando questionado sobre a possibilidade de uma ação militar, Blanche desconversou, afirmando que isso cabe ao Departamento de Guerra. As tensões entre Washington e Havana vêm subindo desde a queda de Maduro, com sanções e ameaças a países que fornecem combustível à ilha.
O passado e o contexto
Em 1996, Raúl Castro era ministro da Defesa de Cuba. Na época, o governo cubano defendeu o ataque como resposta legítima à invasão do espaço aéreo nacional. Apesar das sanções que se seguiram, nenhum dos irmãos Castro havia sido formalmente acusado criminalmente pelos EUA até agora.
Vale lembrar que Cuba sofre um embargo econômico norte-americano há mais de 60 anos. Recentemente, Trump reverteu uma decisão de Joe Biden e voltou a incluir a ilha na lista de países patrocinadores do terrorismo. Em outubro de 2024, a Assembleia Geral da ONU já havia aprovado pela 32ª vez o fim do embargo, com 187 votos favoráveis – apenas EUA e Israel votaram contra.
Raúl Castro, irmão de Fidel, deixou a presidência cubana em 2018 e o comando do Partido Comunista em 2021. Ele apareceu em público pela última vez no início deste mês, e não há indícios de que tenha deixado a ilha ou de que Havana permita sua extradição.







