O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (24) que orientou sua equipe a não ter pressa para fechar um acordo com o Irã, reduzindo as expectativas geradas na véspera sobre um possível avanço iminente nas negociações de paz.
Em publicação na rede Truth Social, Trump declarou que o bloqueio naval dos EUA a navios iranianos no Estreito de Ormuz “permanecerá em pleno vigor e efeito até que um acordo seja alcançado, certificado e assinado”. “Ambos os lados devem levar seu tempo e fazer as coisas direito”, acrescentou.
O governo iraniano não respondeu de imediato. No entanto, a agência Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária do Irã, afirmou que os EUA ainda mantêm obstáculos a partes do acordo, incluindo a liberação de recursos iranianos congelados no exterior.
Na véspera, Trump havia dito que Washington e Teerã teriam “negociado em grande” um memorando de entendimento para reabrir o Estreito de Ormuz, por onde passava um quinto do petróleo e gás natural liquefeito do mundo antes do conflito. A guerra, iniciada por EUA e Israel em 28 de fevereiro, afetou os preços de energia e os índices de aprovação do presidente americano. Um frágil cessar-fogo está em vigor desde o início de abril.
Ainda há divergências em temas sensíveis, como o programa nuclear iraniano, a guerra de Israel no Líbano contra o Hezbollah (grupo apoiado pelo Irã) e as exigências de Teerã pelo fim das sanções e liberação de bilhões de dólares em receitas de petróleo congeladas.
Um alto funcionário do governo Trump, sob anonimato, disse que não haverá assinatura de acordo neste domingo, pois “o sistema iraniano não se move rápido o suficiente”. Ele afirmou que o Irã concordou “em princípio” em reabrir o estreito em troca da suspensão do bloqueio dos EUA e de se desfazer do urânio altamente enriquecido. Segundo ele, o líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, teria endossado o modelo geral do acordo — informação não confirmada por Teerã.
A autoridade americana detalhou que Washington prevê primeiro a reabertura do estreito e a suspensão do bloqueio, o que aliviaria a pressão sobre a economia mundial. Em seguida, seriam negociados os mecanismos para o Irã abrir mão de partes de seu programa nuclear, incluindo prazos. A negociação dos detalhes nucleares, porém, deve levar mais tempo.
Fontes iranianas disseram à Reuters que “fórmulas viáveis” poderão ser encontradas para resolver a disputa sobre o estoque de urânio altamente enriquecido, como a diluição do material sob supervisão da agência nuclear da ONU. O Irã nega buscar armas nucleares e defende seu direito ao enriquecimento para fins civis, embora a pureza alcançada ultrapasse em muito a necessária para geração de energia.






