The New York Times desmonta discurso de Flávio e expõe falta de provas sobre fraude eleitoral e perseguição

O jornal americano The New York Times refutou todas as teorias conspiratórias do senador e candidato derrotado à Presidência do Brasil Flávio Bolsonaro (PL), que fugiu para os Estados Unidos no dia 27 de outubro, em entrevista publicada nesta quinta-feira (5). Anunciada como um grande evento por aliados do bolsonarista, a entrevista de 75 minutos foi conduzida por Ana Ionova, correspondente do jornal para o Brasil e os países vizinhos, rendeu poucas e curtas aspas ao longo do texto e já começa desmentindo o ex-candidato.

“De Miami, Flávio Bolsonaro insiste em alegações infundadas de fraude eleitoral e planeja influenciar a política do país à distância, mesmo que seu partido não esteja contestando os resultados”, diz o subtítulo do texto publicado pelo The New York Times. Na entrevista, Flávio Bolsonaro repetiu a tese de fraude eleitoral na eleição presidencial, dizendo que a vitória de Lula seria “matematicamente impossível”, além de apresentar alegações sobre manipulação de votos e falha de segurança na sala onde os computadores contabilizam os votos, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O jornal destacou que estas são alegações “já desmentidas” e demarcou as falas como um eco de “teorias da conspiração que seu pai outrora propagava sobre as urnas eletrônicas do Brasil, um sistema que especialistas internacionais consideram um dos mais seguros do mundo”. O texto destaca que a campanha de Flávio Bolsonaro também pediu prorrogação do horário de votação e que Lula venceu por uma margem muito maior do que os votos registrados entre 17h e 19h.

A publicação também descarta que ele esteja sofrendo qualquer tipo de perseguição, ao destacar que Flávio Bolsonaro “enfrenta diversas investigações relacionadas à lavagem de dinheiro e corrupção no Brasil” e que ele “fugiu após as autoridades brasileiras ordenarem a entrega de seus passaportes”. “Eu já sei que o desfecho final será a minha prisão”, disse o senador fugido, alegando que o Judiciário brasileiro é “politizado” e lembrando que o ministro Alexandre de Moraes, que determinou a apreensão de seus passaportes, também mandou prender seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na sequência, o texto do jornal destaca que Jair foi preso “por tentar dar um golpe de Estado após a derrota nas eleições de 2022 para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva”. Flávio Bolsonaro também usou a entrevista para tentar proteger aliados que colaboraram com a fuga, após diversas notícias de ajuda de pessoas ligadas aos governos argentino de Javier Milei e americano de Donald Trump. Questionado sobre como articulou uma “viagem impressionante e secreta” de 8 mil quilômetros, o senador disse que “não houve ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo”.

“Foi tudo obra minha, não houve ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo. Como cheguei até aqui, levarei isso para o túmulo comigo.”

O jornal explica, porém, que o jato que levou Flávio Bolsonaro até Miami foi providenciado por um funcionário da Casa Branca e sua entrada nos Estados Unidos foi autorizada diretamente pelo presidente Trump, segundo autoridades americanas. Ele também passou pelo Equador e pela Argentina, onde um dos principais assessores do presidente argentino o encontrou em um aeroporto.

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