STJ rejeita novo recurso e mantém prisão de Ademar Cardoso, irmão da ex-sinhazinha Djidja

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou, nesta quarta-feira (6), o pedido liminar de habeas corpus apresentado pela defesa de Ademar Farias Cardoso Neto, irmão de Djidja Cardoso — a ex-sinhazinha do Boi Garantido encontrada morta em 2024, em Manaus.

Os advogados de Ademar alegaram excesso de prazo na prisão preventiva e solicitaram a revogação da medida, com a aplicação de alternativas à detenção, como o uso de tornozeleira eletrônica ou recolhimento domiciliar.

Contudo, o ministro Sebastião Reis Júnior, relator do caso no STJ, afirmou que, em análise preliminar, não há elementos que justifiquem a soltura imediata. Ele destacou que o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) já havia apontado fundamentos concretos para manter a prisão, como a gravidade dos crimes investigados — tráfico de drogas e associação para o tráfico de cetamina —, a atuação organizada do grupo e a necessidade de preservar a ordem pública.

O ministro também rejeitou, por ora, a alegação de excesso de prazo, lembrando a complexidade do processo, o número elevado de envolvidos e o andamento da ação penal.

Com a decisão, o pedido liminar foi negado. O STJ agora pede informações atualizadas à primeira instância e ao TJAM sobre o andamento do processo e a situação atual de Ademar. Após essas manifestações, o caso será analisado pelo Ministério Público Federal e, só então, julgado em mérito pelo tribunal.

Relembre o caso

Djidja Cardoso, 32 anos, foi encontrada morta em 28 de maio de 2024, dentro de casa, em Manaus. O caso ganhou repercussão nacional ao revelar uma rede de uso e distribuição de cetamina — substância de uso veterinário —, além de envolver crimes como tráfico de drogas, associação para o tráfico e influência de práticas religiosas.

Meses antes de morrer, Djidja contou em redes sociais que enfrentava depressão e gastrite. Ela foi sinhazinha do Boi Garantido entre 2016 e 2020, no Festival Folclórico de Parintins.

Apenas dois meses antes da nova decisão do STJ, a desembargadora Luiza Cristina Nascimento da Costa Marques, do TJAM, já havia negado pedidos semelhantes para Ademar e para a mãe dele, Cleusimar de Jesus Cardoso, que também está presa preventivamente desde 2024. Na ocasião, a defesa já argumentava que os réus estavam detidos há mais de 600 dias sem julgamento definitivo, após a anulação de uma condenação anterior.

Compartilhe :

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *