O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou nesta sexta-feira (3) que viajará aos Estados Unidos com o objetivo de defender o sistema de pagamentos PIX junto ao Escritório dos Representantes de Comércio norte-americano (USTR). O parlamentar protocolou um documento no órgão argumentando que o PIX não substitui os cartões de crédito e sugerindo que o sistema não seja integrado a redes de liquidação não ocidentais.
Na manifestação enviada na quinta-feira (2), o senador também propôs o adiamento por 180 dias das tarifas de 25% sugeridas contra o Brasil, defendendo que as taxas sejam aplicadas somente após o período eleitoral. Flávio justificou a viagem afirmando que o governo brasileiro atual não estaria defendendo adequadamente os interesses nacionais.
Reação do Presidente Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu duramente ao pedido, classificando a atitude do senador como “mais uma ação de traidores da pátria”. Lula enfatizou que o Brasil “não está à venda” e atribuiu as ameaças tarifárias a articulações da família Bolsonaro, mencionando especialmente o ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
Contexto e Posicionamento de Flávio
O senador, que é pré-candidato à Presidência pelo PL, participou do 3º Seminário Nacional de Comunicação do partido no Rio de Janeiro, onde fez promessas sobre combate ao crime organizado e recuperação do poder de compra da população.
Em seu documento ao USTR, Flávio argumenta que:
- O PIX é uma infraestrutura pública soberana, não uma empresa concorrente
- O Federal Reserve dos EUA opera sistema semelhante (FedNow)
- As tarifas não alterariam a arquitetura de pagamentos e prejudicariam investimentos americanos
Outros Desdobramentos
O governo brasileiro, por meio do ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores), também enviou resposta oficial ao USTR na quarta-feira (1º), afirmando que os EUA não comprovaram barreiras discriminatórias ao comércio.
As tarifas propostas, baseadas na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, ainda passam por consulta pública, com audiência agendada para os dias 6 e 7 de julho, onde Flávio está confirmado para falar. Se aprovadas, as taxas podem atingir produtos brasileiros com acréscimo de até 37,5%, embora haja exceções previstas para itens como café, carne, frutas, aeronaves e fertilizantes.






