Putin, sob trégua de Trump, acusa OTAN de apoiar “força agressiva” na Ucrânia

Em uma celebração marcada por forte esquema de segurança e formato reduzido em Moscou, o presidente russo, Vladimir Putin, voltou a defender a guerra contra a Ucrânia em seu discurso do Dia da Vitória, neste sábado (9). A data celebra a derrota da Alemanha nazista pela União Soviética em 1945.

Putin afirmou que as forças russas enfrentam no front ucraniano uma “força agressiva, armada e apoiada por todo o bloco da OTAN”. A declaração, feita diante de militares na Praça Vermelha, reforça a narrativa do Kremlin de que a invasão iniciada há mais de quatro anos é uma resposta a uma ameaça externa.

“O grande sucesso da geração vitoriosa inspira hoje os soldados que realizam a operação militar especial”, declarou Putin, em referência à luta contra o nazismo. “Estou firmemente convencido de que nossa causa é justa. A vitória foi nossa, e o será para sempre.”

Cessar-fogo de três dias permitiu evento sem ataques imediatos

O discurso ocorreu sob uma trégua temporária de três dias, anunciada na véspera pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O acordo, que também incluiu a troca de mil prisioneiros de cada lado, afastou temporariamente a ameaça de drones ucranianos sobre a capital russa durante a cerimônia.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, confirmou a aceitação da trégua e ordenou que suas forças não atacassem o desfile em Moscou. “A Praça Vermelha é menos importante para nós do que a vida dos prisioneiros ucranianos que podem ser repatriados”, justificou.

Desfile enxuto e aliados em número reduzido

Diferentemente de anos anteriores, a celebração dos 81 anos da vitória sobre Hitler teve duração de apenas 45 minutos e não contou com exibição de armamentos, desfiles de cadetes ou escolas militares. Apenas líderes de Belarus, Cazaquistão, Laos, o rei da Malásia e o primeiro-ministro da Eslováquia marcaram presença — um grupo bem mais restrito do que o do ano passado, que incluiu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Imagens da televisão estatal russa mostraram ainda a participação de soldados norte-coreanos nas comemorações. Em 2025, militares da Coreia do Norte ajudaram Moscou a expulsar tropas ucranianas da região russa de Kursk.

Trégua abre nova frente diplomática

Após mais de quatro anos de conflito, que já deixou centenas de milhares de mortos e resultou no controle russo de cerca de 20% do território ucraniano (incluindo a Crimeia, anexada em 2014), a trégua de três dias representa um recomeço nas negociações.

Trump celebrou o acordo em sua plataforma, afirmando esperar que “este seja o começo do fim de uma guerra muito longa, mortal e difícil”. Enquanto isso, conversas entre negociadores ucranianos e americanos foram retomadas na Flórida, e Zelensky informou que enviados de Washington devem chegar à Ucrânia nas próximas semanas.

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