Promessa de resgate bilionário esconde farsa: investigação expõe gestora fantasma por trás da Naskar

A prisão dos três fundadores da Naskar Gestão de Ativos, ocorrida na última quarta-feira (22/7), reacendeu as suspeitas sobre a empresa que prometeu salvar a fintech do colapso. O esquema, que prometia o ressarcimento dos investidores, foi revelado em uma investigação do Metrópoles.

Em maio deste ano, a Naskar anunciou publicamente sua compra por R$ 1,2 bilhão pela Azara Capital, uma gestora que se dizia sediada nos Estados Unidos e que assumiria todo o passivo da empresa. No entanto, uma análise minuciosa de documentos públicos, realizada pela coluna, revelou uma série de irregularidades que colocam em dúvida a própria existência da compradora.

O levantamento não encontrou nenhum registro oficial da Azara Capital LLC na Flórida, estado onde a empresa afirma ter sua sede, nem nos órgãos reguladores do mercado financeiro americano, como a SEC e a FINRA.

O negócio também expõe figuras misteriosas: o comprador formal da Naskar é Douglas Silva de Oliveira, de apenas 25 anos. Cerca de dez meses antes do anúncio da compra, Douglas adicionou o sobrenome “Azara” ao seu registro civil. O currículo do jovem, porém, contrasta com a grandiosidade do acordo: ele declarou uma renda mensal de R$ 1,8 mil e é réu em ações judiciais que vão desde despejo até estelionato.

A fragilidade da suposta compradora também se reflete em sua presença digital. O site da Azara Capital foi registrado apenas dois meses antes do anúncio da compra, e seu perfil no Instagram, que afirma estar em Miami, foi criado em fevereiro deste ano e, segundo dados da própria Meta, é gerido do Brasil. Isso contradiz a alegação da empresa de que atua há 19 anos.

Adicionando mais um capítulo à trama, a investigação documental revelou que, em fevereiro de 2026, a Azara IP e a Phoenix Capital IP foram abertas no mesmo endereço, com CNPJs sequenciais. Esta última opera o chamado Banco Phoenix, que alega ter mais de R$ 1 bilhão em capital, mas para o qual não foi encontrada nenhuma autorização do Banco Central. O endereço usado por essas empresas é o mesmo de um imóvel onde o próprio Douglas Oliveira respondeu a uma ação de despejo em 2023.

Em resumo, a promessa de um resgate bilionário para a Naskar parece se desfazer diante de uma rede de empresas sem registro consistente, canais digitais recém-criados e a figura de um jovem comprador com um histórico financeiro e jurídico preocupante.

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