O médico e empresário Mouhamad Moustafa, apontado pelo Ministério Público Federal (MPF) como líder do grupo investigado na Operação “Maus Caminhos”, declarou, neste sábado (3), véspera do primeiro turno das Eleições 2026, voto no senador e candidato ao Governo do Amazonas, Omar Aziz (PSD). Em entrevista à imprensa, Moustafa afirmou considerar positiva a atuação de Omar na área da saúde durante o período em que ele foi governador do Estado.
A declaração ocorre na reta final da campanha e traz novamente ao debate eleitoral o histórico da Operação “Maus Caminhos”, deflagrada em 2016 para investigar desvios de recursos públicos da saúde por meio de contratos do Instituto Novos Caminhos (INC) com o Governo do Amazonas. Segundo o MPF, Moustafa era apontado como líder do grupo investigado.
Questionado se Omar estaria preparado para voltar a comandar o Estado, Moustafa citou a experiência que teve no setor da saúde durante a gestão do então governador.
“No governo Melo eu já tinha saudades do governo Omar. Se fosse para escolher trabalhar hoje, se falasse assim: ‘Vai voltar o Melo ou vai voltar o Omar?’, eu com certeza queria que voltasse o Omar”, declarou Moustafa.
Ao ser questionado sobre as acusações de corrupção envolvendo o então governador, Moustafa afirmou que não teria presenciado irregularidades relacionadas a Omar durante o período em que trabalhou na área da saúde.
“Se ele fez, não foi comigo. Então, com quem ele tenha feito, se foi acusado, a pessoa que não deve não votar nele. Mas eu votaria nele”, afirmou.
Histórico da Operação “Maus Caminhos”
A declaração ocorre enquanto o nome de Moustafa permanece associado à investigação sobre desvios de recursos da saúde no Amazonas. A Operação “Maus Caminhos” foi deflagrada em setembro de 2016 e investigou contratos do Instituto Novos Caminhos para administrar unidades de saúde no Estado.
Segundo o MPF, a organização investigada utilizava o INC e empresas fornecedoras para a prática de crimes como peculato e lavagem de dinheiro. A investigação apontou prejuízo de, no mínimo, R$ 50 milhões aos cofres públicos.
Moustafa foi preso na primeira fase da operação e posteriormente condenado pela Justiça Federal. Somadas cinco ações penais, as penas atribuídas a ele chegaram a 49 anos, quatro meses e 15 dias de prisão, além de multa superior a R$ 6,9 milhões, segundo o MPF.
As condenações mencionadas pelo Ministério Público envolvem crimes de peculato relacionados a desvios de recursos destinados a unidades de saúde. O MPF também descreveu Moustafa como integrante do núcleo principal da organização investigada.
Desdobramentos alcançaram o governo José Melo
Os desdobramentos da investigação também atingiram agentes públicos e chegaram ao governo do ex-governador José Melo. A terceira fase da operação, denominada “Estado de Emergência”, foi deflagrada em dezembro de 2017 e teve entre os alvos o então governador.






