O diretório estadual do Partido Liberal (PL) confirmou, em convenção realizada em Fortaleza nesta quarta-feira (22), seu apoio formal à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Ceará. A decisão, que já vinha sendo articulada nos bastidores, consolida a aliança com a federação PSDB-Cidadania – que oficializou a coligação “Se Unir para Mudar” na última segunda-feira (20) – e representa um dos realinhamentos políticos mais significativos do estado para as eleições de 2026, com desdobramentos que transcendem a política cearense e acirram tensões internas no bolsonarismo.
Indicação ao Senado e o isolamento de Priscila Costa
Durante o mesmo evento, a militância do PL aprovou o nome do deputado estadual Alcides Fernandes para disputar uma das vagas ao Senado na chapa encabeçada por Ciro. Pastor da Assembleia de Deus e pai do deputado federal André Fernandes (PL-CE), atual presidente estadual do partido, Alcides foi o escolhido em detrimento da deputada federal Priscila Costa (PL-CE), que há meses articulava sua própria pré-candidatura ao Senado com o apoio direto da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Com a definição da chapa majoritária, Priscila teve sua candidatura homologada apenas para a reeleição à Câmara dos Deputados.
O desfecho reacende uma disputa interna que veio a público no mês passado, quando Michelle Bolsonaro divulgou um vídeo criticando abertamente a aproximação dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro com Ciro Gomes. O episódio expôs a divergência entre a ex-primeira-dama e o núcleo político liderado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência. Apesar da resistência pública de Michelle, a ala de Flávio prevaleceu nas negociações: no início de julho, o próprio senador fluminense esteve no lançamento da pré-candidatura de Alcides Fernandes, sinalizando o respaldo da cúpula nacional do partido à aliança.
Confronto direto com Cid Gomes e cenário eleitoral
Com a oficialização, Alcides Fernandes se tornará adversário direto do senador Cid Gomes (PSB) – irmão de Ciro, de quem está rompido politicamente desde 2022 – que buscará a reeleição ao Senado apoiado pela base do governador Elmano de Freitas (PT). Pesquisa Real Time Big Data divulgada em 15 de julho já indicava Cid na liderança da disputa pelas duas vagas do Senado, com 26% das intenções de voto, enquanto Elmano e Ciro aparecem tecnicamente empatados na corrida ao governo (44% a 40%, dentro da margem de erro).
A ex-governadora Izolda Cela (PSB), que integrou o campo político de Ciro até romper com ele em 2022, classificou a aliança como “muito esquisita” e questionou a coerência de um ex-aliado histórico de Lula e de Cid Gomes ao construir palanque com nomes ligados ao bolsonarismo cearense.
Composição da chapa e próximos passos
A composição final da coligação de Ciro deve ser definida nos próximos dias. As negociações indicam a confirmação do ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (União Brasil) como vice-governador, com a federação PP-União Brasil realizando sua convenção no próximo domingo (26). A segunda vaga ao Senado na chapa deve ficar com o ex-deputado federal Capitão Wagner, também do União Brasil. Durante a convenção do PSDB, realizada em formato reservado, Ciro Gomes participou remotamente e admitiu publicamente não saber se está “preparado” para a disputa, mas afirmou estar “entusiasmado” em liderar a coalizão.







