PF acha caixas de dinheiro e relógios de luxo durante prisão

Caixas de papelão abarrotadas de dinheiro, pilhas de notas de real, dólares e euros, além de dezenas de relógios de luxo, foram encontradas pela Polícia Federal, durante a Operação Tomada de Contas. A ação levou à prisão do presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo de Almeida, e de outros cinco investigados, nesta quinta-feira (29).

A ofensiva também apreendeu veículos importados, bolsas de grife e drogas, em uma investigação que apura suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro, dentro do órgão responsável por fiscalizar os gastos públicos do estado. As imagens das apreensões revelam a dimensão do patrimônio encontrado durante as buscas.

Em um dos registros, cinco caixas de papelão aparecem ocupando o porta-malas de um veículo, todas preenchidas com grandes volumes de cédulas organizadas em maços. Em outras fotografias, há dinheiro espalhado sobre mesas, incluindo notas de R$ 100, R$ 50 e R$ 200, além de dólares americanos e euros.

A quantidade de relógios também chama a atenção.

Os policiais encontraram dezenas de peças armazenadas em estojos, caixas individuais e expositores. Uma das coleções estava organizada em uma estrutura vertical, com compartimentos iluminados e espaços próprios para exibição dos acessórios. Outros registros mostram relógios de diferentes modelos, com pulseiras metálicas, de couro e de borracha, alguns com acabamento dourado.

Parte das peças estava acondicionada em caixas com revestimento interno, enquanto outras permaneciam expostas em vitrines e organizadores. Além do dinheiro e dos acessórios, a operação alcançou bens de alto valor, incluindo automóveis das marcas Audi e Mercedes-Benz, bolsas de grife e entorpecentes. Até o momento, não foram informados oficialmente o valor total dos recursos apreendidos, a avaliação dos objetos ou a quantidade de drogas recolhidas.

A operação foi autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e mobilizou mais de 180 policiais federais, para cumprir seis mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. A Justiça também autorizou medidas de afastamento de sigilos e sequestro de bens. Além de Sérgio Ricardo, foram presos Roseli Loss, Adriangelo Barros Antunes, Grhegory Paiva Pires Moreira, Gustavo Fernandes da Silva e Felipe José Glinke.

SUSPEITAS DE CORRUPÇÃO

A investigação mira possíveis irregularidades na administração de contratos e na movimentação de recursos financeiros do TCE-MT. A Polícia Federal suspeita que a suspensão de contratos tenha sido utilizada para pressionar empresas fornecedoras, criando condições para a obtenção de vantagens indevidas. Os investigadores também apuram a existência de pagamentos diferenciados a empresas, inconsistências em repasses financeiros e operações bancárias suspeitas envolvendo servidores públicos.

Uma das frentes da apuração busca esclarecer a origem e a destinação de valores movimentados em espécie. A PF identificou indícios de retiradas frequentes de dinheiro e possíveis conexões entre depósitos bancários e saques realizados nas dependências do próprio Tribunal de Contas. A apreensão de grandes quantidades de dinheiro e de bens de elevado valor passa a integrar o conjunto de elementos analisados pelos investigadores, que buscam esclarecer a origem dos recursos e eventual relação com as irregularidades investigadas. Os envolvidos são investigados por possíveis crimes contra a Administração Pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A responsabilidade individual de cada suspeito ainda será apurada.

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