A tentativa de execução de Christa Pike, de 50 anos, foi interrompida na noite desta quarta-feira (30), no Tennessee, nos Estados Unidos, após a aplicação da injeção letal não resultar em sua morte. Segundo autoridades penitenciárias, Pike foi retirada da prisão de segurança máxima Riverbend, em Nashville, e encaminhada para uma unidade médica. Pike havia sido condenada à pena de morte pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, ocorrido em 1995, quando a condenada tinha 18 anos. O caso marcou a primeira tentativa do Tennessee de executar uma mulher em cerca de dois séculos.
Durante o procedimento, testemunhas relataram ter ouvido Pike roncar, respirar com dificuldade, suspirar e reclamar de desconforto no braço. Em determinado momento, a cortina da sala de execução foi fechada, impedindo que jornalistas acompanhassem visualmente o que ocorria. Os advogados de Pike apresentaram uma petição em um tribunal federal enquanto o procedimento estava em andamento, solicitando a suspensão da execução. Segundo a NBC News, testemunhas afirmaram que as duas seringas com os produtos químicos letais haviam sido aplicadas, mas Pike permanecia viva.
O Departamento de Correção do Tennessee afirmou que os produtos utilizados fazem parte de um protocolo considerado eficaz e que não havia procedimentos adicionais previstos para a situação. Após a tentativa, Pike foi transportada para atendimento médico externo.
Governador suspende próximas execuções
O governador do Tennessee, Bill Lee, havia rejeitado na segunda-feira (28) o pedido de clemência apresentado pela defesa de Pike. Após a execução malsucedida, porém, anunciou a suspensão das execuções previstas para o restante do ano e determinou uma revisão independente dos procedimentos. Esta foi a segunda tentativa frustrada de execução no Tennessee em 2026. Em maio, uma execução também precisou ser interrompida depois que agentes penitenciários não conseguiram encontrar uma veia adequada para a aplicação da injeção letal.
A tentativa contra Pike ocorreu poucas horas depois de a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubar uma decisão de um tribunal inferior que havia suspendido temporariamente a execução.
Assassinato ocorreu quando Pike tinha 18 anos
Pike foi condenada pela participação no assassinato de Colleen Slemmer, ocorrido em janeiro de 1995. Segundo o processo, ela, o então namorado, Tadaryl Shipp, de 17 anos, e uma terceira pessoa atraíram Slemmer para uma área de mata em Knoxville. A vítima foi torturada e morta. O crime teve grande repercussão pela violência empregada, incluindo a gravação de um pentagrama no peito de Slemmer e a retirada de parte do crânio da vítima. Pike e Shipp confessaram o crime e foram condenados por homicídio em primeiro grau. A mãe de Slemmer, May Martinez, declarou publicamente apoio à execução de Pike.
Defesa alegou histórico de abusos e transtornos mentais
Na tentativa de obter a conversão da pena de morte para prisão perpétua, os advogados de Pike apresentaram ao governador uma petição de 226 páginas na qual detalharam episódios de violência, negligência e abuso sexual sofridos por ela durante a infância. A defesa afirmou ainda que Pike foi diagnosticada na prisão com transtorno bipolar e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Os advogados também mencionaram evidências de consumo excessivo de álcool pela mãe durante a gravidez, argumentando que isso poderia ter afetado o desenvolvimento cerebral de Pike.
Segundo a defesa, ela sofreu dois estupros, aos 11 e aos 17 anos. Pike também foi condenada, em 2001, por tentativa de homicídio em primeiro grau após agredir outra detenta. Caso reacendeu discussão sobre crimes cometidos na adolescência
A execução também voltou a provocar discussões nos Estados Unidos sobre a aplicação da pena de morte a pessoas que cometeram crimes quando ainda eram adolescentes. Pike tinha 18 anos quando matou Slemmer. Em seu pedido de clemência, ela afirmou que inicialmente pretendia apenas brigar com a vítima e que perdeu o controle durante o ataque.
Em declaração apresentada pela defesa, Pike reconheceu a gravidade do crime e afirmou ter levado anos para compreender plenamente as consequências de seus atos. Com a suspensão anunciada pelo governador, uma revisão independente deverá analisar os procedimentos utilizados nas execuções do Tennessee após as duas tentativas malsucedidas registradas em 2026.







