Milton Leite se entrega à polícia em operação que apura infiltração do PCC nos ônibus de SP

O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) se entregou à polícia na tarde desta sexta-feira (18/9). Ele se apresentou na Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes (Dise), em Mogi das Cruzes, na Região Metropolitana de São Paulo. A entrega foi confirmada pela Secretaria da Segurança Pública paulista.

Leite era alvo de um mandado de prisão temporária expedido no âmbito da Operação Vectura Corrupta, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo. A investigação apura a suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas responsáveis pelo transporte coletivo da capital paulista e possíveis relações da organização criminosa com agentes do poder público.

A operação prevê o cumprimento de 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão. Segundo as autoridades responsáveis pela investigação, parte dos alvos seria ligada à estrutura da facção criminosa. Entre os investigados também está Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, que foi preso durante a operação.

Antes da apresentação de Milton Leite, agentes realizaram diligências em endereços relacionados ao ex-vereador. Em um imóvel ligado a um ex-assessor, a Polícia Civil encontrou aproximadamente R$ 737 mil em dinheiro, sendo R$ 280 mil e US$ 89 mil. A investigação deverá apurar a origem e eventual relação dos valores com os fatos investigados.

As apurações também investigam a influência do crime organizado sobre empresas do sistema de ônibus de São Paulo. Segundo elementos apresentados pelas autoridades no curso da operação, ao menos 12 das 22 empresas que atuam no transporte coletivo da cidade estariam sob suspeita de influência ou controle da facção. As investigações citam práticas como lavagem de dinheiro, fraudes envolvendo empresas e interferência em contratos e decisões relacionadas ao setor.

Milton Leite também é investigado por uma suposta relação com a Transwolff, empresa de ônibus que já havia aparecido em outras apurações sobre lavagem de dinheiro e atuação do PCC no transporte público. Investigadores apuram se o ex-vereador teria influência sobre a companhia e se atuava como articulador político em questões relacionadas ao setor.

O ex-parlamentar nega qualquer vínculo com o PCC ou participação em atividades ilícitas. Antes de se apresentar, sua defesa havia informado que ele estava em viagem e que compareceria voluntariamente às autoridades para demonstrar sua inocência. Leite também sustenta que sua interlocução com representantes do setor de transporte ocorreu em razão de sua atuação política e de demandas relacionadas à administração municipal.

Milton Leite permaneceu por 27 anos na Câmara Municipal de São Paulo, onde exerceu sete mandatos consecutivos e presidiu a Casa em diferentes períodos, incluindo de 2021 a 2024. Atualmente, ele preside o diretório estadual do União Brasil em São Paulo.

A Operação Vectura Corrupta prossegue com a análise de documentos, mensagens, movimentações financeiras e outros elementos recolhidos durante as diligências. A responsabilidade individual de cada investigado ainda será apurada no decorrer do procedimento.

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