As negociações entre Israel e Líbano começaram nesta terça-feira (14), por volta das 12h (horário de Brasília), em Washington, nos Estados Unidos, com o objetivo de estabelecer um cessar-fogo no conflito em curso. A iniciativa, mediada pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, busca criar condições para interromper os ataques antes de avançar para um possível acordo mais amplo.
O encontro reúne embaixadores dos dois países e marca um momento histórico, sendo as primeiras conversas diretas em décadas entre Israel e Líbano, que não mantêm relações diplomáticas formais. Apesar do avanço diplomático, o governo libanês enfrenta resistência interna, especialmente do Hezbollah, grupo armado apoiado pelo Irã e considerado um dos principais alvos das operações israelenses.
As negociações ocorrem em meio a uma crescente pressão internacional por uma trégua duradoura no Oriente Médio. O diálogo também é visto como parte de um esforço mais amplo, que envolve entendimentos paralelos entre Estados Unidos e Irã, com o objetivo de reduzir tensões na região.
Outros atores internacionais também se manifestaram. A China negou acusações de apoio militar ao Irã e classificou as alegações como falsas, além de alertar para possíveis contramedidas caso os Estados Unidos avancem com novas tarifas. Já o Catar defendeu que a prioridade imediata deve ser a interrupção dos combates, destacando que ainda é prematuro discutir questões estratégicas como o Estreito de Ormuz.
A França também demonstrou preocupação com a escalada da violência. Segundo o chanceler Jean-Noël Barrot, ataques intensificados ao Líbano podem acabar fortalecendo o Hezbollah, ampliando sua influência no país.
Apesar das movimentações diplomáticas, os confrontos continuam. Nas últimas horas, bombardeios israelenses atingiram diferentes regiões do Líbano, deixando ao menos dez mortos. De acordo com o Ministério da Saúde libanês, o número total de vítimas já ultrapassa duas mil. Do lado israelense, autoridades informaram que 11 soldados ficaram feridos após um ataque com drones no sul do território libanês.
No campo econômico, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que o Irã tem negociado por meio de interlocutores autorizados. Ele também indicou expectativa de redução das tensões, o que pode impactar positivamente os mercados globais, embora tenha alertado que o baixo crescimento mundial segue como principal risco.
Os reflexos já são percebidos na economia. A Agência Internacional de Energia projeta queda na demanda global por petróleo neste ano, a primeira desde a pandemia, com redução média de 80 mil barris por dia. Nesse cenário, o barril do tipo Brent recuou para cerca de 97 dólares, com queda próxima de 2%, após ter subido anteriormente em razão de tensões no Estreito de Ormuz.
No Brasil, o dólar comercial segue abaixo de cinco reais, patamar que não era observado há dois anos. Já a Bolsa de Valores de São Paulo opera em alta de 0,36%, refletindo a atenção dos investidores aos desdobramentos geopolíticos e às perspectivas de negociação envolvendo Estados Unidos e Irã.







