Homem que acorrentou ex-companheira por cinco dias diz ter sofrido pressão psicológica da polícia durante prisão

A Justiça de Goiás manteve presa a preventiva de Ailton Rodrigues de Souza, acusado de manter a ex-companheira, Emiliane Tamara Nunes Carvalho, em cárcere privado por cinco dias, acorrentada e submetida a agressões físicas e psicológicas. A decisão foi tomada neste sábado (22), durante audiência de custódia realizada pela 2ª Vara Criminal da Comarca de Ceres.

Ao converter a prisão em flagrante para preventiva, o juiz Cristian Assis destacou a gravidade do caso e o risco de novas agressões contra a vítima.

“É imprescindível resguardar a integridade física e emocional da vítima, bem como a ordem pública, diante da evidente periculosidade social do investigado, da gravidade concreta dos fatos e do forte risco de reiteração criminosa”, afirmou o magistrado.

A defesa de Ailton pediu a concessão de liberdade provisória com medidas cautelares, mas o pedido foi negado. Para a Justiça, as medidas seriam insuficientes diante da violência praticada.

Suspeito diz que foi pressionado pela polícia

Durante a audiência de custódia, Ailton Rodrigues de Souza afirmou que sofreu pressão psicológica por parte dos policiais responsáveis pela prisão. Segundo ele, os agentes o teriam “aterrorizado psicologicamente” para que colaborasse com as investigações.

A declaração foi feita ao juiz no momento em que o suspeito relatou as circunstâncias da prisão. Até o momento, não há informação de que a alegação tenha alterado o andamento do processo, e a prisão preventiva foi mantida.

Vítima relata tortura e queimaduras com ácido

Após ser resgatada na sexta-feira (21), Emiliane usou as redes sociais para relatar as agressões sofridas. Em um vídeo emocionado, ela apareceu com o rosto machucado e afirmou que o ex-companheiro colocava panos embebidos em ácido dentro de sua boca.

“Eu estou toda queimada por dentro, porque ele enfiava panos com ácido na minha boca”, contou.

A vítima também revelou que o relacionamento havia terminado em dezembro de 2025, mas Ailton não aceitava o fim da relação. Segundo ela, as agressões culminaram no período em que ficou presa dentro de uma casa em Águas Lindas de Goiás, no Entorno do Distrito Federal.

Em outro pronunciamento, Emiliane disse que já recebeu alta médica e está se recuperando em casa.

“Estou muito ferida”, afirmou, ao agradecer o apoio recebido e pedir que o caso seja tratado com justiça.

O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil de Goiás. Ailton deve responder por crimes relacionados ao cárcere privado, violência doméstica, tortura e outras infrações que ainda estão sendo apuradas pelas autoridades.

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