O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, teria acionado Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, para tentar retirar do Instagram uma publicação que fazia referência a uma festa privada realizada em São Paulo. A informação consta de material analisado pela Polícia Federal no âmbito das investigações relacionadas ao banqueiro.
Segundo os registros atribuídos aos dois, Vorcaro encaminhou a Mourão, em novembro de 2023, o link de uma publicação no Instagram e deu uma orientação direta: “Derrubar esse.” Sicário respondeu: “Bom dia. Sim.”
A postagem mencionava uma festa realizada no Madame Underground Club, conhecido como Madame Satã, na região da Bela Vista, em São Paulo. O evento ocorreu em 31 de outubro de 2023 e, conforme reportagens baseadas nas mensagens reunidas pela investigação, teria contado com cerca de 120 mulheres e 20 homens.
A preocupação com a divulgação de imagens da festa aparece em outras conversas atribuídas a Vorcaro. Antes do evento, o banqueiro teria afirmado que celulares seriam recolhidos e que uma equipe ficaria responsável por impedir vazamentos. Mensagens também mostram o ex-ministro Fábio Faria manifestando preocupação com uma possível repercussão pública do encontro.
Apesar das precauções, imagens acabaram chegando às redes sociais. Uma convidada publicou no TikTok um vídeo sobre a festa, que posteriormente foi retirado após uma reação de Vorcaro e contato do promoter responsável pelo evento com a autora da postagem.
Dias depois, outra publicação, desta vez no Instagram, chamou a atenção do banqueiro. O conteúdo comentava a presença de nomes conhecidos da música eletrônica no evento, como Vintage Culture, Solomun e Swedish House Mafia. Foi esse link que, segundo o material da investigação, Vorcaro encaminhou a Sicário acompanhado do pedido para “derrubar” a postagem. Segundo reportagem que reproduz o conteúdo do inquérito, a publicação não chegou a ser retirada do ar.
Mourão aparece nas investigações da Polícia Federal como integrante de um grupo denominado “A Turma”. De acordo com a PF, ele desempenhava atividades de obtenção de informações, monitoramento de pessoas e levantamento de dados de interesse do grupo ligado a Vorcaro.
Mourão foi preso em março de 2026 durante uma fase da Operação Compliance Zero. Ele atentou contra a própria vida enquanto estava sob custódia da Polícia Federal em Belo Horizonte e morreu posteriormente no hospital.







