O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL) foi preso pelo serviço de imigração (ICE) dos Estados Unidos, onde estava foragido da Justiça brasileira.
Uma breve nota no site da PF afirma que a prisão, ocorrida em Orlando, na Flórida, “decorreu de cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e autoridades policiais dos EUA”.
A BBC News Brasil apurou que a expectativa da PF agora é que Ramagem seja deportado ao Brasil após passar por uma audiência junto a um juiz de assuntos migratórios.
Sua defesa, porém, poderá argumentar nesta audiência que Ramagem seria alvo de perseguição política, argumento usado por outros condenados pelos atos de 8 de janeiro em processos semelhantes em países como a Argentina.
Uma fonte da PF avalia que sua defesa poderá, se ainda não o fez, requerer asilo político nos EUA.
Caso seu argumento seja acolhido, o processo de deportação de Ramagem poderá ser suspenso. Do contrário, a expectativa é de que Ramagem seja enviado ao Brasil nos próximos meses ou semanas.
Procurada pela BBC News Brasil, a defesa de Ramagem ainda não respondeu.
O ex-deputado e ex-delegado da PF era considerado foragido desde setembro, quando a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) o condenou a 16 anos de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado de Direito, na mesma ação penal que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em novembro, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, decretou a prisão preventiva de Ramagem.
Seu mandato foi cassado em dezembro, junto com o de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que também está vivendo nos Estados Unidos.
Em 15 de dezembro, Moraes pediu aos EUA a extradição do deputado cassado, que também teve seu passaporte diplomático cancelado pela Câmara dos Deputados.
Segundo disse à BBC News Brasil em dezembro o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, o deputado saiu do Brasil de forma clandestina, pela fronteira com a Guiana, e usou passaporte diplomático para entrar nos EUA.
Ele teria viajado de avião para Boa Vista, em Roraima, de onde partiu de carro, em uma viagem clandestina em direção à fronteira.
Segundo a denúncia da Procuradoria Geral da República que levou ao julgamento e condenação de Ramagem, o ex-deputado teria usado a estrutura da Abin em favor dos planos golpistas — comandando uma “Abin paralela” que monitoraria adversários e críticos do governo Bolsonaro, além de produzir informações falsas e ataques virtuais.
Além disso, Ramagem teria fornecido a Jair Bolsonaro material para apoiar o ataque às urnas eletrônicas e a intervenção das Forças Armadas.






