A investigação sobre a série de mortes por envenenamento ocorridas entre janeiro e maio deste ano ganhou um novo e chocante capítulo. Ana Paula Veloso Fernandes, apontada pela Justiça como uma “verdadeira serial killer”, teria contado com a ajuda da irmã gêmea na execução dos crimes que vitimaram quatro pessoas em São Paulo e no Rio de Janeiro. As informações constam nas ações penais movidas contra Ana Paula, agora também investigada em conjunto com sua irmã, cuja identidade ainda não foi oficialmente revelada pelas autoridades. Ambas são suspeitas de envolvimento direto nos homicídios de Marcelo Hari Fonseca, Maria Aparecida Rodrigues, Neil Corrêa da Silva e Hayder Mhazres.
Denúncia por quatro homicídios triplamente qualificados
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), por meio da Vara do Júri de Guarulhos, aceitou integralmente a denúncia contra Ana Paula, incluindo quatro homicídios triplamente qualificados, três em São Paulo e um no Rio de Janeiro. Inicialmente, a Vara havia acatado apenas os crimes cometidos em Guarulhos, mas, após nova análise, o juiz decidiu unificar os quatro casos em um mesmo processo, reconhecendo semelhanças entre eles e apontando um padrão claro de atuação, agora atribuído a uma possível ação em dupla.
As vítimas são:
Marcelo Hari Fonseca – morto em janeiro de 2025, em Guarulhos (SP);
Maria Aparecida Rodrigues – morta entre os dias 10 e 11 de abril, também em Guarulhos;
Neil Corrêa da Silva – morreu em 26 de abril, em Duque de Caxias (RJ);
Hayder Mhazres – faleceu em 23 de maio, na cidade de São Paulo (SP).
Modus operandi e motivação
De acordo com as investigações, Ana Paula e sua irmã agiram por motivo torpe em todas as mortes. Os crimes teriam sido meticulosamente planejados, com o uso de venenos específicos e métodos que dificultaram qualquer chance de defesa por parte das vítimas. As mortes foram inicialmente tratadas como naturais, o que, segundo a Polícia, demonstra o conhecimento técnico de Ana Paula e sua cúmplice em relação à dosagem e aos efeitos dos compostos utilizados. Há suspeita de que a gêmea participava ativamente tanto da manipulação das substâncias quanto da execução dos atos, em momentos distintos ou alternados, o que pode ter contribuído para confundir investigações preliminares. A inclusão da irmã gêmea no caso levanta novas questões sobre planejamento, premeditação e divisão de tarefas entre as duas. A Polícia Civil de São Paulo trabalha agora com a hipótese de que outros crimes semelhantes possam ter sido cometidos pela dupla, mas ainda não associados ao caso.
As duas respondem, por enquanto, por:
Homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, veneno, impossibilidade de defesa da vítima) nos casos de Marcelo, Maria Aparecida e Hayder; Homicídio qualificado com causa de aumento de pena, no caso de Neil. O Ministério Público ainda avalia se pedirá a inclusão formal da irmã gêmea como coautora no processo principal. A defesa de Ana Paula e de sua irmã ainda não se pronunciou. O caso deve ir a júri popular, e a expectativa é que o julgamento aconteça no primeiro semestre de 2026. Até lá, ambas permanecem presas preventivamente. A Polícia solicita que possíveis outras vítimas ou pessoas com informações semelhantes entrem em contato com os canais oficiais, já que o padrão de atuação pode ter se repetido em outros casos não esclarecidos.







