A torcida do Flamengo viveu uma noite de frustração nesta quinta-feira, no Maracanã. Depois de um empate sem gols no tempo normal, o Rubro-Negro foi eliminado da Copa Libertadores pelo Estudiantes de La Plata na disputa por pênaltis. A queda ganha contornos ainda mais dolorosos porque a equipe argentina atuou com um jogador a menos durante praticamente todo o segundo tempo, sem que o time carioca conseguisse transformar a superioridade numérica em gols.
O resultado aumenta a pressão sobre o elenco, a comissão técnica e a diretoria, especialmente após as mudanças que marcaram o início da temporada.
Demissão de Filipe Luís marcou o início da turbulência
A crise começou a ganhar força em 3 de março de 2026, quando Filipe Luís foi demitido do comando técnico. A decisão surpreendeu parte da torcida, sobretudo porque o treinador havia conquistado o Campeonato Brasileiro e a Libertadores em 2025.
Apesar do histórico vitorioso, o começo irregular de 2026 pesou na avaliação da diretoria, que optou por interromper o trabalho e buscar uma nova direção para a equipe.
Dias depois, um áudio vazado de uma conversa atribuída ao presidente do clube, Luiz Eduardo Baptista, conhecido como BAP, voltou a alimentar o debate sobre a condução do futebol rubro-negro. Na gravação, o dirigente teria comparado uma escolha equivocada à situação de alguém que embarca no trem errado e precisa descer para pegar outro rumo.
A metáfora ganhou novo significado diante da eliminação continental e das dúvidas sobre as decisões tomadas pela cúpula flamenguista.
Vantagem numérica não se transforma em resultado
Dentro de campo, o Flamengo decepcionou. Mesmo diante de um adversário com um jogador a menos durante boa parte da etapa final, a equipe não conseguiu encontrar espaços suficientes para balançar as redes.
A falta de criatividade, a dificuldade para superar a organização defensiva argentina e a incapacidade de aproveitar a superioridade numérica marcaram a atuação rubro-negra. O empate em 0 a 0 levou a decisão para os pênaltis, cenário em que o Estudiantes foi mais eficiente e garantiu a classificação.
Do outro lado, o técnico Cacique Medina se destacou pela organização tática. O time argentino soube fechar os espaços, resistir à pressão no Maracanã e administrar as dificuldades impostas pela expulsão.
Leonardo Jardim, por sua vez, não conseguiu encontrar soluções que fizessem a diferença. Com um elenco considerado tecnicamente superior e de maior investimento, o Flamengo terminou a partida sem o principal objetivo: o gol que poderia mudar o destino do confronto.
A velha expressão volta à memória da torcida
A eliminação trouxe de volta uma palavra historicamente associada a derrotas inesperadas do clube: flamengada. O termo, popularizado no futebol brasileiro para descrever tropeços considerados improváveis do Flamengo, voltou a circular diante de uma queda que parecia difícil de imaginar pelas circunstâncias da partida.
A lembrança remete a eliminações dolorosas, como a derrota para o América do México na Libertadores de 2008 e a perda da Copa do Brasil para o Santo André, em 2004.
A comparação reflete a dimensão da frustração. Nos últimos anos, o Flamengo construiu uma trajetória de protagonismo nacional e continental, acumulando títulos e formando elencos competitivos. Por isso, uma eliminação nessas condições provoca questionamentos ainda maiores.
Brasileiro vira prioridade
Com a saída da Libertadores, o Campeonato Brasileiro passa a ter peso central nos objetivos da temporada. O desafio será recuperar a confiança do grupo, corrigir os problemas apresentados em campo e impedir que a eliminação provoque uma crise ainda mais profunda. A diretoria também terá de lidar com a cobrança da torcida e com as consequências das decisões tomadas desde a saída de Filipe Luís.







