A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro anunciou, nesta quinta-feira (9), a criação de um novo movimento político próprio batizado de “Imparáveis MB”. O anúncio ocorre pouco mais de uma semana após sua saída da presidência do PL Mulher, cargo que ocupava desde 2023.
A decisão de deixar o comando da ala feminina do Partido Liberal foi comunicada no fim de junho e está diretamente ligada ao agravamento da crise com o enteado, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato à Presidência da República.
Em uma postagem no Instagram, Michelle explicou que o perfil oficial do PL Mulher será repassado a uma nova equipe, seguindo orientações da cúpula nacional do partido. “A partir da próxima semana, este perfil passará a ser administrado por outra equipe, com metodologia e agenda próprias, seguindo as novas designações e orientações da direção nacional do Partido Liberal”, afirmou a nota, assinada por sua equipe de comunicação.
A mensagem, contudo, deixou claro que a ex-primeira-dama não pretende se afastar da vida política. “Michelle não vai parar. Vocês não vão parar. O Brasil não vai parar”, diz um trecho do comunicado.
Nos bastidores, aliados de Michelle revelam que sua saída do PL Mulher foi motivada por divergências internas, especialmente após ela defender publicamente a pré-candidatura da vice-presidente do movimento, Priscila Costa, ao Senado pelo Ceará — posição oposta à defendida por Flávio Bolsonaro, que apoia outro nome. O episódio teria culminado em uma ligação telefônica na qual o senador teria sido ríspido com a madrasta, o que ela classificou como uma “punhalada” e uma “humilhação”.
O senador, que é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, já pediu desculpas publicamente pelo ocorrido.
Apesar do desgaste familiar e partidário, Michelle segue firme na intenção de disputar uma vaga no Senado pelo Distrito Federal nas eleições deste ano. A decisão final, no entanto, deverá ser tomada até o dia 25 de julho, data da convenção do PL. Enquanto isso, a presidência nacional do PL Mulher permanece congelada, e a escolha do novo nome ficou a cargo do presidente da legenda, Valdemar Costa Neto.
A ex-primeira-dama é vista como uma peça-chave do bolsonarismo para atrair o voto feminino e evangélico, e seu novo movimento, batizado de “Imparáveis”, sinaliza que ela pretende manter sua própria agenda política, independentemente dos rumos do partido ou das articulações da família Bolsonaro.







