O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (10) o bloqueio de até R$ 119,2 milhões em bens do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e a suspensão imediata de emendas parlamentares que, segundo a Polícia Federal (PF), foram indicadas irregularmente por ele.
A investigação aponta que Valdemar, que não exerce mandato parlamentar, utilizou um “arranjo decisório paralelo” na Câmara dos Deputados para direcionar verbas públicas. Para dar aparência de legalidade aos repasses, servidores da Casa teriam incluído nomes de deputados federais como falsos solicitantes das emendas.
De acordo com a PF, ao menos 21 emendas, que somam R$ 119,2 milhões, foram desviadas em benefício do dirigente partidário, com foco em municípios de São Paulo. Mensagens apreendidas em celulares mostram assessores discutindo cotas de valores e áreas prioritárias, como saúde e turismo, em tratativas em nome de Valdemar.
A decisão de Dino acolheu parcialmente o pedido da PF e determinou:
- a indisponibilidade de bens de Valdemar Costa Neto até o valor total citado;
- a paralisação de qualquer execução orçamentária das emendas listadas;
- a intimação da Câmara, da AGU e da CGU para providências em 10 dias.
A investigação é um desdobramento da Operação Transparência, deflagrada em dezembro de 2025, que já tinha como alvo a servidora Mariângela Fialek, ex-assessora da Presidência da Câmara na gestão de Arthur Lira. A PF também aponta a participação de Nara Braum, servidora lotada na liderança do PL.
Procurado, Valdemar Costa Neto negou ter feito indicações de emendas e afirmou que essa atribuição cabe ao líder do partido na Câmara. Sua defesa disse que ainda vai se manifestar. A TV Globo também procurou a defesa de Mariângela Fialek, que não se manifestou até a publicação.







