Em setembro de 2025, um tribunal de primeira instância o condenou por tentar obter recursos da Líbia para financiar sua campanha vitoriosa, mas ele nega qualquer irregularidade e cumpriu apenas 20 dias de prisão em outubro antes de ser libertado para aguardar o recurso.
Aos 71 anos, Sarkozy chegou hoje ao Tribunal de Apelação de Paris, onde cumprimentou policiais e advogados antes de se sentar na primeira fileira do banco dos réus. O novo julgamento, que deve se estender até 3 de junho, reafirma o princípio de que ele é presumido inocente até que se prove o contrário.
Desde que deixou a presidência, em 2012, Sarkozy enfrenta uma série de problemas judiciais e já acumula duas condenações definitivas em outros casos. Em uma delas, usou uma tornozeleira eletrônica por vários meses, até que ela foi removida em maio do ano passado, após ser condenado por tentar obter favores de um juiz. Na outra, ainda terá que cumprir pena por financiamento ilegal de sua campanha de reeleição em 2012, que não obteve sucesso.
Conspiração criminosa
No chamado “Caso Líbio”, Sarkozy recorreu de uma sentença de cinco anos de prisão. O tribunal de primeira instância o condenou por conspiração criminosa, alegando que ele articulou um esquema para obter financiamento líbio para sua campanha presidencial de 2007.
No entanto, os juízes não concluíram que o dinheiro foi efetivamente recebido ou utilizado na campanha. Seus advogados recorreram imediatamente, mas o tribunal determinou sua prisão imediata, citando a “gravidade excepcional” da condenação. Em 21 de outubro de 2025, Sarkozy se tornou o primeiro ex-chefe de Estado de um país da União Europeia a ser encarcerado.
Durante o julgamento inicial, os promotores argumentaram que assessores de Sarkozy, agindo em seu nome, teriam fechado um acordo com Gaddafi em 2005 para financiar ilegalmente sua campanha presidencial dois anos depois. A investigação sugere que, em troca, Gaddafi teria recebido ajuda para recuperar sua imagem internacional, abalada após o regime líbio ser responsabilizado pelos atentados contra um voo de passageiros sobre Lockerbie, na Escócia, em 1988, e outro sobre o Níger, em 1989, que juntos deixaram centenas de mortos. Membros do círculo próximo a Sarkozy preferiram não comentar o caso antes do novo julgamento.
Livro às pressas
Após sua passagem pela prisão, Sarkozy lançou um livro escrito às pressas, intitulado “Diário de um Prisioneiro”. Quando o livro foi lançado, em dezembro de 2025, apoiadores fizeram filas que deram a volta no quarteirão em Paris para comprar um exemplar.
Na obra de 216 páginas, o ex-presidente descreve suas dificuldades cotidianas na prisão, como o barulho excessivo e a baixa qualidade da comida, mas também faz reflexões políticas. Ele sugere uma possível aliança entre seu antigo partido, Os Republicanos, de direita tradicional, e a extrema-direita francesa, com o objetivo de “reconstruir a direita”.
Além desse caso, Sarkozy e sua esposa, a cantora e modelo Carla Bruni, ainda podem enfrentar outro julgamento. Eles são acusados de tentar subornar uma testemunha-chave no caso de financiamento líbio, com a ajuda de um magnata do ramo de paparazzi. Ambos negam as acusações.
com AFP






