‘A mãe de alguém teve que chorar’, diz adolescente acusado de estupro coletivo em vídeo

Um vídeo gravado pelo adolescente de 17 anos acusado de estupro coletivo mostra uma conversa dos réus em tom de deboche no elevador do apartamento em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Na gravação, realizada na noite do crime, o menor diz: “A mãe de alguém teve que chorar, porque as nossas mães hoje…”. As imagens foram obtidas pelo Fantástico, da TV Globo, e divulgadas no domingo 8.

Na semana passada, Bruno Felipe dos Santos Allegretti, 18, Vitor Hugo Oliveira Simonin, 18, João Gabriel Bertho Xavier, 19, e Mattheus Veríssimo Zoel Martins, 19, se entregaram à Justiça após dias foragidos. Na última sexta-feira, 6, o adolescente se entregou na 54ª DP (Belford Roxo). Por ser menor de idade, ele é investigado por ato infracional análogo ao crime.

A movimentação ocorreu após o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) mudar de entendimento e opinar favoravelmente à internação do adolescente após outras denúncias de violência sexual despontarem contra os investigados. Antes, o MPRJ havia discordado da Polícia Civil e sido contrário à medida socioeducativa, embora tenha apoiado a prisão preventiva dos adultos.

Entenda o caso

O crime teria acontecido em 31 de janeiro. O menor teria sugerido que ela levasse uma amiga, mas a menina disse que não conseguiu ser acompanhada e que não via problema em ir sozinha. Imagens de câmeras de segurança mostram que os quatro adultos chegaram ao apartamento antes da vítima, que foi avisada no elevador que os amigos do rapaz estavam no apartamento e poderiam fazer “algo diferente”. Ela recusou. Mais tarde, enquanto os dois mantinham relação sexual, os quatro entraram no quarto.

Após insistência do adolescente, ela aceitou que eles permanecessem no cômodo desde que a não tocassem. Segundo o depoimento da adolescente, eles não respeitaram a decisão, tiraram a roupa e começaram a apalpá-la. Em seguida, forçaram que fizesse sexo oral e foi penetrada por todos eles, que também a chutaram, socaram e estapearam. Ela tentou sair, mas foi impedida. O relatório policial afirmou que, depois da vítima deixar o edifício, o menor é visto fazendo gestos de comemoração aos amigos.

A vítima procurou a 12ª DP (Copacabana) para fazer uma queixa. Ela fez exame de corpo de delito, que identificou lesões compatíveis com violência física, incluindo infiltrado hemorrágico, escoriação na região genital e sangramento vaginal. Manchas nas regiões dorsal e glútea também foram localizadas. Materiais biológicos foram coletados para exames genéticos e análise de DNA.

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro entrou com a denúncia por estupro com concurso de pessoas. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, então, expediu mandados de prisão preventiva pela 1ª Vara Especializada em Crimes Contra Crianças e Adolescentes. No sábado, a polícia deflagrou a operação “Não é Não” para cumprir a ordem, mas nenhum dos quatro jovens foi encontrado. Em meio à repercussão do caso, a Reitoria do Colégio Pedro II e a Direção-Geral do Campus Humaitá II afastou dois dos jovens acusados, o menor de idade e Vitor Hugo. A Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) suspendeu por 120 dias o aluno Bruno Felipe, enquanto o Serrano Football Club, por sua vez, afastou João Gabriel e rompeu o contrato com o atleta.

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