O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator da ação que julga os assassinatos de Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, além da tentativa de homicídio da ex-assessora da parlamentar, Fernanda Chaves, afirmou em seu voto que o assassinato de da vereadora foi motivado por preconceitos estruturais.
“Se juntou a questão política com a misoginia, o racismo, com a discriminação. Marielle Franco era uma mulher preta, pobre, que estava ‘peitando’ os interesses de milicianos. Na cabeça preconceituosa dos mandantes e executores, quem iria ligar para isso?”, indagou Moraes.
O relator ressaltou que, na visão da milícia, o objetivo era apenas de assustar seus opositores, com o alvo inicial sendo o ex-deputado Marcelo Freixo, atual presidente da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur).
Moraes destacou, ainda, que, na colaboração premiada do executor Ronnie Lessa, o próprio delator assumiu que a preocupação dos criminosos era com a repercussão política. A partir disso, segundo o magistrado, teria começado “uma série de queima de arquivos”.

O magistrado é o relator da ação penal que julga os cinco envolvidos no assassinato de Marielle e Anderson, além da tentativa de homicídio de Fernanda Chaves.
Os acusados são os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão (respectivamente ex-conselheiro do Tribunal de Contas de Estado do Rio e ex-deputado federal); Rivaldo Barbosa (ex-chefe da Polícia Civil fluminense); Ronald Paulo de Alves Pereira; e Robson Calixto Fonseca (ex-policiais militares). Todos estão presos preventivamente e respondem por homicídio qualificado e tentativa de homicídio.







