Um mês após prisão de Bual, Câmara segue inerte e David Reis vira alvo de críticas

Trinta dias se passaram desde a prisão do vereador Rosinaldo Bual (Agir), acusado de chefiar um esquema de “rachadinha” dentro da Câmara Municipal de Manaus (CMM), e o Legislativo da capital segue sem qualquer ação concreta diante do escândalo. A ausência de providências tem gerado fortes críticas à Mesa Diretora, especialmente ao presidente da Casa, David Reis (Avante), acusado de complacência e omissão.

A operação “Face Oculta”, deflagrada pelo Ministério Público do Amazonas (MP-AM), apreendeu R$ 390 mil em espécie, cheques que somam mais de meio milhão de reais, além de celulares, documentos e uma arma na residência de Bual. O parlamentar está afastado das atividades legislativas, mas continua recebendo salário e mantendo as verbas de gabinete, o que ampliou a revolta entre servidores e a opinião pública.

Apesar da gravidade das acusações, a Câmara não abriu nenhum procedimento interno. Não houve corte de remuneração, suspensão de prerrogativas nem instauração de processo disciplinar. A inércia do Legislativo vem sendo interpretada como um ato de autoproteção corporativa, alimentando a percepção de que a Casa tenta abafar o caso.

Nesta segunda-feira (3/11), o descontentamento transbordou em protesto simbólico. Durante a sessão plenária, o vereador Rodrigo Guedes (Progressistas) levou uma pizza ao plenário para ironizar a situação e denunciar o que chamou de “pizza política” — uma metáfora para o arquivamento informal do caso. O gesto viralizou nas redes sociais e intensificou a pressão popular sobre os vereadores.

Nos bastidores, o episódio isolou ainda mais o presidente David Reis, que já vinha sendo criticado pela condução de outros casos sensíveis. Parlamentares da oposição afirmam que a postura da Mesa Diretora coloca em xeque a credibilidade da instituição e cobram uma resposta imediata.

Enquanto o Legislativo permanece em silêncio, o MP-AM segue com as investigações e deve apresentar novos desdobramentos da operação nas próximas semanas. Na Câmara, porém, o clima é de paralisia e constrangimento. Para muitos, o recado é claro: a crise política está longe de acabar.

Operação “Face Oculta” revelou suposto esquema de rachadinha; protesto com pizza expõe desgaste político e isolamento do presidente David Reis

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