A engenheira Poliana Frigi relatou em suas redes sociais nessa segunda-feira (24/3) uma situação vexatória envolvendo a academia que frequenta em São José dos Campos, interior de São Paulo. Segundo ela, uma funcionária recomendou que ela cobrisse o top que vestia.
Na publicação em que conta o que aconteceu, a mulher diz que estava usando uma peça de roupa de uma marca fitness conhecida quando foi abordada pela recepcionista da John Boy Academia, localizada no bairro Jardim Oswaldo Cruz. A funcionária questionou se ela “estava de sutiã”. “Eu fiquei preocupada e falei que não, logo mostrei a marca e expliquei que não era”.
Poliana afirma que a funcionária chegou a dizer que “estavam reclamando da peça de roupa”, pois a alça do top era “muito fina”. Em seguida, ela relatou que foi orientada a colocar uma blusa por cima. “Ela falou: você não teria uma camiseta para colocar por cima? Porque tem homens casados aqui e não fica legal para você, né. Na hora, eu fiquei em choque e só respondi que não tinha”, disse.
Segundo a engenheira, logo depois da situação ela começou a se sentir mal. “Eu comecei a me olhar no espelho e falei, ‘caraca, será que eu tô realmente com um top pequeno?’”. Logo depois, ela relatou tudo ao namorado e ambos decidiram ir juntos até a recepção para discutir o caso.
Poliana conta que pediu o contato do gerente da academia para fazer uma reclamação formal sobre a conduta da funcionária que a abordou. A funcionária, então, teria respondido que sua atitude foi autorizada pelo gerente por telefonema e que era um procedimento do local.
“Então quer dizer que ela falou para o gerente que eu estava de sutiã, ou ela mandou uma foto minha sem autorização para o gerente, perguntando se ela podia me abordar ou não. E ela respondeu ao meu namorado que sim, que essa foi a recomendação, e outra moça que estava na recepção ainda concordou com ela, falando que a alça [da roupa] era muito fina”, disse.
A engenheira relatou ainda que, após o ocorrido, não recebeu nenhum contato da academia diretamente, somente por meio de uma nota publicada na página oficial do estabelecimento. “Mostra que o problema está sempre em nós mulheres, e não os homens casados que estão no lugar, ou por não ser um ambiente seguro, já que eles me orientaram a cobrir meu corpo por ‘segurança’”. Poliana destacou que não registrou boletim de ocorrência, mas que está em contato com um advogado para decidir os próximos passos.
A academia informou, em nota, que tomou conhecimento das manifestações e que o caso está sendo tratado com máxima seriedade e atenção.”Estamos buscando contato direto com a aluna envolvida para ouvi-la. Internamente, já iniciamos a revisão de nossos protocolos de atendimento e comunicação, incluindo treinamentos voltados a respeito, diversidade e inclusão para toda a equipe. A academia reforça que não compactua com condutas inadequadas ou que possam causar constrangimento e reafirma seu compromisso com a melhoria contínua de seus processos. Pedimos desculpas à nossa aluna e a todos que se sentiram afetados por este episódio”.







