Afastado pela Justiça, Rosinaldo Bual mantém presença e salário na CMM sob polêmica de registro virtual

Apesar de estar oficialmente afastado do cargo por determinação judicial desde outubro de 2025, o vereador Rosinaldo Bual (Agir) voltou a figurar na lista de presença da Câmara Municipal de Manaus (CMM) já na primeira semana do ano legislativo de 2026. Preso sob acusação de comandar um esquema de “rachadinha”, uso de funcionários fantasmas e lavagem de dinheiro, o parlamentar tem, na prática, retomado o exercício do mandato — com aval político da maioria da Casa.

O nome de Bual passou a constar novamente nas atas oficiais desde a última segunda-feira (9), após o período de recesso. A permanência do vereador no Legislativo Municipal havia sido referendada pelos próprios colegas em novembro de 2025, por 21 votos a 11, mesmo diante dos desdobramentos da Operação Face Oculta, conduzida pelo Ministério Público do Amazonas (MP-AM). As investigações apontam que o esquema de desvio de salários era operado dentro do próprio gabinete do parlamentar.

Rosinaldo Bual responde a acusações de peculato, concussão, associação criminosa, lavagem de dinheiro, agiotagem e posse irregular de arma de fogo. A justificativa da maioria dos vereadores para mantê-lo no cargo foi a ausência de condenação judicial definitiva — embora o Regimento Interno da CMM preveja a perda de mandato por quebra de decoro parlamentar independentemente de trânsito em julgado.

Enquanto responde ao processo, Bual segue recebendo salário mensal de R$ 26 mil e registra presença nas sessões. A CMM, em nota, afirmou que o parlamentar não tem comparecido fisicamente às dependências da Casa, mas sim registrado presença de forma virtual — modalidade que, segundo a instituição, teria sido aprovada em primeira discussão no ano passado e ainda estaria em tramitação regimental.

No entanto, modelo híbrido de sessões foi extinto em 2022, por requerimento do então presidente da CMM, Caio André, após o fim da emergência sanitária da Covid-19. A mudança foi votada e aprovada em plenário, não havendo previsão atual para participação remota em sessões deliberativas.

Nos bastidores, servidores da Casa relatam que Bual tem adotado uma estratégia para contornar o sistema: ele comparece ao prédio antes do início do expediente, realiza o registro biométrico por reconhecimento facial e deixa o local em seguida, sem participar efetivamente das sessões ou debates. A prática reacende o debate sobre o uso político do cargo e os limites do mandato parlamentar diante de investigações criminais.

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