O período natalino costuma ser associado à alegria, encontros familiares e celebrações marcadas por afeto. No entanto, para muitas pessoas, essa época do ano desperta sentimentos bem diferentes, como tristeza, nostalgia, frustração e até uma sensação de inadequação. Longe de ser uma contradição isolada, esse fenômeno é mais comum do que se imagina e tem explicações psicológicas e sociais.
Segundo o psicólogo e professor da Faculdade Santa Marcelina, Marcelo Santos Solidade, o impacto emocional do Natal está diretamente ligado ao modo como o imaginário natalino ativa memórias profundas e comparações difíceis de sustentar. “O Natal carrega símbolos que remetem à infância, à segurança emocional e à ideia de união familiar. As tradições, músicas e imagens natalinas funcionam como tentativas de recuperar um afeto antigo”, explica.
O problema, de acordo com o especialista, surge quando esse ideal é comparado com a realidade atual. Famílias que mudaram, relações rompidas, perdas ao longo da vida ou até a ausência de vínculos próximos tornam o contraste mais evidente. “Quando a pessoa percebe que não vive aquilo que o Natal promete simbolicamente, pode surgir um sentimento de vazio ou fracasso pessoal”, afirma Solidade.
Outro fator importante é a forte pressão social em torno da felicidade obrigatória. Redes sociais, propagandas e filmes reforçam a ideia de que todos devem estar felizes, cercados de pessoas queridas e vivendo momentos perfeitos. Para quem não se encaixa nesse padrão, o sentimento de exclusão pode se intensificar. “Existe uma cobrança silenciosa para estar bem. Quem não está acaba se sentindo deslocado, como se houvesse algo errado consigo”, pontua o psicólogo.
Além disso, o fim do ano costuma ser um período de balanços pessoais. Metas não alcançadas, expectativas frustradas e incertezas sobre o futuro também vêm à tona, potencializando emoções já sensíveis. Nesse contexto, o Natal funciona como um gatilho emocional, reunindo passado, presente e expectativas em um curto espaço de tempo.
Para lidar melhor com esses sentimentos, especialistas recomendam acolher as próprias emoções sem culpa. Reconhecer que o Natal não é vivido da mesma forma por todos é um passo importante. Criar novos rituais, respeitar limites emocionais e buscar apoio em amigos ou profissionais de saúde mental também pode ajudar a atravessar o período de forma mais leve.
“O Natal não precisa ser perfeito para ser significativo”, conclui Solidade. “Às vezes, ele pode ser apenas um momento de pausa, reflexão e cuidado consigo mesmo.”







