
Quem é Lisa Cook, a diretora do Fed que Trump tenta demitir?
- 26-08-2025 10:34
O presidente Donald Trump afirmou na noite de segunda-feira (25) que demitirá a diretora do Federal Reserve, Lisa Cook, sob alegação de fraude de hipotecas. O anúncio, feito em uma carta publicada por Trump em sua rede Truth Social, veio após uma campanha de ameaças contra Cook conduzida por sua administração e aliados, em meio ao esforço do presidente de aumentar a pressão sobre o banco central dos EUA para que reduza os juros.Trajetória no Fed. Cook ocupa um dos sete assentos no Conselho de Diretores, que, junto com cinco dos 12 presidentes regionais do Fed, compõe o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), o colegiado que define a taxa de juros.
Ela se tornou a primeira mulher negra nomeada para o conselho nos mais de 100 anos de história do Fed, após ser indicada pelo presidente Joe Biden em 2022, inicialmente para um mandato até 2024. Depois, foi reconduzida para um mandato de 14 anos, em vigor até 2038. Doutora em Economia, título comum entre dirigentes do Fed, Cook era professora de economia e relações internacionais na Universidade Estadual de Michigan antes de assumir o cargo. Sua pesquisa acadêmica foca em bancos centrais internacionais, crises financeiras, desigualdades raciais na economia e o impacto da inovação no crescimento econômico. Ela também trabalhou no Conselho de Assessores Econômicos do presidente Barack Obama e, no início dos anos 2000, atuou no Departamento do Tesourou.
Histórico de votos
Cook chegou ao Fed em meio ao mais agressivo ciclo de alta de juros em 40 anos, iniciado para conter a disparada da inflação. Desde então, ela votou em linha com a maioria do FOMC e com o presidente Jerome Powell em todas as reuniões, incluindo as cinco realizadas este ano, nas quais a taxa foi mantida inalterada. Preocupada com a inflação ainda elevada, Cook classificou o último relatório de emprego — que mostrou forte desaceleração nas contratações neste verão — como “preocupante”. Segundo ela, o esfriamento pode sinalizar um ponto de inflexão para a economia dos EUA. Ela ainda não declarou se apoiará um corte de juros na reunião de setembro, embora investidores e analistas estejam apostando nessa possibilidade.