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Empresário volta atrás e admite ter matado gari em briga de trânsito em BH

  • 19-08-2025 16:33

Pela primeira vez desde que foi preso, o empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, de 47 anos, confessou ter assassinado o gari Laudemir de Souza Fernandes, de 44 anos. A revelação foi feita durante depoimento prestado na tarde dessa segunda-feira (18).

Segundo a apuração do Conexão AM, o depoimento de Nogueira Júnior é recheado de contradições. O único suspeito do crime só resolveu confessar diante de todas as provas contra ele. O empresário viu o laudo balístico, que comprova que o tiro saiu da arma que ele transportava dentro do carro, as imagens o colocaram na cena do crime e as informações passadas por testemunhas, que o reconheceram como o assassino do gari Laudemir.

Durante depoimento, Renê da Silva Nogueira Júnior deu a versão dele sobre o que aconteceu. Segundo fontes ligadas à investigação, o homem disse que estava indo de casa para o trabalho, trajeto que a polícia já confirmou. Para fugir do trânsito, o GPS indicou uma passagem pelo bairro Vista Alegre, na região Oeste de Belo Horizonte, onde aconteceu o crime.

Renê alegou que era novo no emprego e ainda não conhecia bem o caminho da empresa em Betim, na região metropolitana. Ele Disse que, por isso, resolveu sair de casa armado, para garantir a própria segurança. A arma pertence à esposa dele, a delegada Ana Paula Balbino Nogueira.

O homem relatou aos investigadores que o revólver estava entre sua perna e o banco do carro, quando se deparou com o trânsito parado pelo caminhão de coleta de lixo, bem no encontro das ruas Jequitibá e Modestina de Souza. A motorista teria pedido pra ele seguir, mas o empresário alegou que carro não passaria pelo espaço ao lado do caminhão.

Ainda na versão de Renê, foi neste momento que a motorista viu a pistola calibre 380 debaixo da perna. A mulher teria avisado aos colegas e um deles teria ido pra cima de Renê. O homem afirmou que, então, desceu do carro armado e discutiu com os garis.

O empresário declarou que a intenção era atirar para o alto, mas que acabou apontando a arma pra frente para tentar intimidar o grupo. Segundo o que Renê contou à polícia, o disparo teria sido acidental e atingiu exatamente o gari que não estava discutindo com ele, Laudemir.

O homem disse, ainda, que a equipe da limpeza urbana saiu correndo e ele não teria visto naquele momento que o tiro atingiu um trabalhador. A história é bem diferente do que contaram as testemunhas desse assassinato. Renê garante que não viu e nem ficou sabendo da morte e que, só por isso, teria seguido a vida normalmente, como mostram as imagens coletadas pela polícia.

Renê alegou também que, no dia em que atirou e matou um trabalhador inocente no meio da rua, ele tinha se esquecido de tomar um remédio controlado pela manhã. O medicamento seria para tratar uma doença psiquiátrica. Ainda durante a segunda-feira (18), os três advogados renunciaram à defesa do suspeito. Ele foi comunicado sobre a mudança e deve contratar outro defensor em breve.

Fuga

Testemunhas flagraram o carro do empresário deixando o local do crime logo após o disparo. Pouco depois, às 10h30 da manhã, Renê aparece em outro vídeo conversando com colegas de trabalho na empresa localizada em Betim, na Grande BH.

Ele vai de mesa em mesa, cumprimenta um e outro e sai sorrindo. Por volta das 12h30, Renê saiu da empresa. Às 13h41, ele chegou no apartamento de luxo onde mora, em Nova Lima, na região metropolitana. Neste momento, o empresário estava com arma na mão. Ele guardou a pistola na mochila e entrou no prédio. Depois foi passear com os cachorros na área comum do condomínio.

O empresário alegou que só teria descoberto o que aconteceu quando foi abordado por policiais militares, já durante o treino em uma academia na capital mineira.

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