Novos arquivos do caso Epstein citam Trump, Gates, Musk e príncipe Andrew; Entenda

Fotografias que parecem mostrar o irmão do rei Charles 3º, Andrew Mountbatten-Windsor, ajoelhado sobre uma mulher deitada no chão foram incluídas no último lote de arquivos divulgado pelo Departamento de Justiça dos EUA sobre o caso do bilionário Jeffrey Epstein.

Anteriormente conhecido como Duque de York, Andrew é irmão mais novo de Charles e filho da rainha Elizabeth 2ª. Ele foi destituído de todos os títulos reais no ano passado, devido aos laços passados com Epstein.

Nas imagens divulgadas pelo governo americano nesta sexta-feira (30/1), ele é visto de quatro sobre uma mulher não identificada, totalmente vestida, deitada no chão. Em duas delas ele parece a estar tocando na barriga. Outra imagem o mostra olhando diretamente para a câmera.

O Departamento de Justiça também publicou emails separados que sugerem que o falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein convidou Andrew para jantar com uma mulher russa de 26 anos. As mensagens foram trocadas em agosto de 2010, dois anos depois de Epstein se declarar culpado de aliciar uma menor de idade.

As fotos foram divulgadas pelo governo americano sem mais explicações sobre o contexto, e não está claro quando e onde elas foram tiradas.

Tanto as imagens quanto as trocas de emails divulgadas fazem parte dos mais de 3 milhões de novos arquivos publicados no âmbito das investigações sobre o milionário condenado por crimes sexuais Jeffrey Epstein, que morreu na prisão em 2019.

Outras imagens divulgadas mostram fotos editadas de mulheres não identificadas e o que parecem ser apartamentos de luxo, quartos de hotel e uma casa com piscina.

Duque” — que acredita-se ser Andrew Mountbatten-Windsor — sugerem que o americano queria apresentar “A” a uma mulher russa de 26 anos.

Na mensagem, Epstein sugere que ele “poderia gostar de jantar” com a mulher, que estaria em Londres em agosto de 2010.

“O Duque” responde que estaria em Genebra “até a manhã do dia 22, mas ficaria encantado em vê-la” antes de perguntar: “Ela trará uma mensagem sua? Por favor, dê a ela meus dados de contato para que ela entre em contato.”

Ele pergunta a Epstein se há “alguma outra informação que você possa saber sobre ela que seja útil?”

Epstein responde que “ela tem 26 anos, é russa, inteligente, bonita, confiável e sim, ela tem seu e-mail.”

Epstein foi condenado em 2008 por aliciar sexualmente uma menina de 14 anos na Flórida e cumpriu sua pena em julho de 2010, um mês antes da troca de e-mails. A BBC não conseguiu verificar os e-mails de forma independente.

Entre o último lote de documentos, também está uma troca de e-mails datada de 27 de setembro de 2010 entre Epstein e a conta intitulada “O Duque”.

Nela, eles discutem um jantar no Palácio de Buckingham, onde há “muita privacidade”.

Os e-mails não indicam qualquer irregularidade. A BBC entrou em contato com Mountbatten-Windsor para que ele comentasse o caso.

Outro documento divulgado pelo Departamento de Justiça, de 2020, é um pedido formal de assistência das autoridades americanas solicitando uma entrevista com Mountbatten-Windsor. Na mensagem, as autoridades diziam acreditar que “o príncipe Andrew pode ter sido testemunha e/ou participante de certos eventos relevantes para a investigação em curso”.

O texto afirma que evidências documentais teriam revelado que Andrew tinha conhecimento de que Ghislaine Maxwell, associada de Epstein que foi condenada por ajudá-lo no tráfico de meninas menores de idade, recrutava mulheres “para praticar atos sexuais com Epstein e outros homens”.

O documento também aponta “há evidências de que o príncipe Andrew se envolveu em conduta sexual com uma das vítimas de Epstein”.

“O príncipe Andrew não é atualmente alvo da investigação e as autoridades americanas não reuniram, até o momento, evidências de que ele tenha cometido qualquer crime sob a lei americana”, diz ainda a carta, enviada pelas autoridades americanas.

Mountbatten-Windsor negou repetidamente qualquer irregularidade em relação a Epstein e disse que não “viu, testemunhou ou suspeitou de qualquer comportamento do tipo que posteriormente levou à sua prisão e condenação”.

Em 2022, Andrew fechou um acordo com a americana Virginia Giuffre para encerrar um processo aberto contra ele por acusação de abuso sexual.

Giuffre estava processando Andrew, alegando que ele a agrediu sexualmente em três ocasiões quando ela tinha 17 anos, em 2001. Ela afirmou que, naquele ano, Epstein a levou para Londres e a apresentou ao príncipe Andrew.

Andrew também nega as acusações relacionadas a Giuffre.

Emails que parecem ter sido trocados entre Sarah Ferguson, ex-mulher de Andrew, e Epstein também estão entre os arquivos divulgados nesta sexta.

Uma mensagem de 4 de abril de 2009 — assinada “Com amor, Sarah, a ruiva!!” —dizia: “Olá, Jeffrey. Estou aterrissando em Palm Beach em algumas horas. Há alguma chance de eu conseguir tomar uma xícara de chá durante minha rápida escala…?”

O email continua discutindo ideias para a empresa de Ferguson, chamada Mother’s Army.

A ex-Duquesa de York se refere a Epstein como “Meu querido, espetacular e especial amigo Jeffrey. Você é uma lenda e eu tenho muito orgulho de você.”

Epstein ainda estava em prisão domiciliar quando a mensagem foi enviada.

Em outra troca de emails, de agosto de 2009, Ferguson escreve para Epstein novamente para discutir “minha marca Sarah Ferguson” e agradece ao bilionário “por ser o irmão que eu sempre desejei”.

Os emails não indicam nenhuma irregularidade. A BBC entrou em contato com Ferguson para comentar a divulgação, mas não obteve resposta.

Os ‘arquivos Epstein’

Ao todo, três milhões da páginas, 180 mil imagens e 2.000 vídeos foram publicados nesta sexta-feira (30/1).

A divulgação acontece seis semanas depois do departamento perder o prazo legal assinado pelo presidente Donald Trump, que exigia que todos os documentos relacionados a Epstein fossem tornados públicos.

“A divulgação de hoje marca o fim de um processo amplo de identificação e revisão de documentos para garantir transparência ao povo americano e cumprimento das normas”, disse o vice-procurador-geral Todd Blanche.

Além das imagens e conversas de Andrew, os arquivos incluem detalhes sobre o tempo de Jeffrey Epstein na prisão — incluindo um relatório psicológico — e sua morte enquanto estava encarcerado, juntamente com registros de investigação sobre Ghislaine Maxwell, associada de Epstein que foi condenada por ajudá-lo no tráfico de meninas menores de idade.

Eles também incluem e-mails entre Epstein e outras figuras públicas influentes.

ARQUIVOS DERRUBADOS

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ, na sigla em inglês) retirou do seu website milhares de documentos relacionados ao caso Jeffrey Epstein, depois que vítimas declararam que suas identidades ficaram comprometidas.

Os advogados das vítimas atingidas afirmaram que edições mal feitas nos arquivos publicados na sexta-feira (30/1) “viraram de cabeça para baixo” a vida de cerca de 100 sobreviventes.

Os arquivos publicados continham endereços de e-mail e fotos nuas com nomes e rostos de possíveis vítimas, que poderiam ser identificadas.

As sobreviventes emitiram uma declaração, qualificando a publicação de “ultrajante”, destacando que elas não deveriam ser “identificadas, analisadas e novamente expostas a traumas”.

O DOJ afirma ter retirado todos os arquivos marcados e que os erros se deveram a “falhas técnicas e humanas”.

Em carta enviada a um juiz federal na segunda-feira (2/2), o DOJ declarou que “todos os documentos indicados pelas vítimas ou por advogados para remoção até ontem à noite foram retirados para novas edições”.

O Departamento afirmou que continua examinando novas solicitações e também verifica se há qualquer outro documento que possa necessitar de revisões adicionais. E acrescentou que uma “quantidade substancial” de documentos independentemente identificados também foi retirada do site.

Sob os termos da publicação, ordenada depois que as duas câmaras do Congresso americano aprovaram uma medida obrigando o DOJ a publicar os documentos, solicitou-se ao governo federal que editasse detalhes que pudessem identificar vítimas.

Na sexta-feira, dois advogados representantes das vítimas pediram a um juiz federal de Nova York que ordenasse ao DOJ a derrubada do website que contém os arquivos. O pedido qualifica a publicação de “o mais grave episódio isolado de violação da privacidade de vítimas em um único dia, na história dos Estados Unidos”.

Os advogados Brittany Henderson e Brad Edwards afirmaram que houve uma “emergência reveladora que exige imediata intervenção judicial”. Para eles, o DOJ “deixou de editar nomes de vítimas e outras informações de identificação pessoal em milhares de casos”.

Diversas vítimas de Epstein acrescentaram comentários à carta. Uma delas descreveu a publicação como “potencialmente fatal” e outra declarou ter recebido ameaças de morte, depois que foram publicados seus dados bancários privados.

Em entrevista à BBC na terça-feira (3/2), Annie Farmer, sobrevivente de Epstein, declarou que “é difícil se concentrar nas informações novas trazidas à luz com tantos danos causados pelo DOJ ao expor sobreviventes desta forma”.

Outra das vítimas de Epstein, Lisa Phillips, afirmou que muitas sobreviventes estavam “muito insatisfeitas com o resultado” da publicação.

“O DOJ violou todas as nossas três exigências”, declarou ela à BBC na terça-feira.

“Primeiro, muitos documentos ainda não foram publicados. Segundo, a data definida para a publicação já passou há muito tempo. E, terceiro, o DOJ publicou os nomes de muitas das sobreviventes.”

“Nosso sentimento é que estão brincando conosco, mas não vamos deixar de lutar”, concluiu Phillips.

A advogada dos direitos das mulheres Gloria Allred representou muitas das vítimas de Epstein. Ela declarou anteriormente à BBC que os nomes de diversas vítimas haviam sido revelados na última publicação, incluindo algumas que ainda não haviam sido publicamente identificadas.

“Em alguns casos… há uma linha atravessando os nomes, mas ainda é possível ler”, ela conta. “Em outros casos, eles mostraram fotos das vítimas — sobreviventes que nunca deram uma entrevista pública, não divulgaram publicamente seu nome.”

Um porta-voz do DOJ declarou à rede CBS, parceira da BBC nos Estados Unidos, que o organismo “leva a proteção das vítimas muito a sério e editou milhares de nomes de vítimas dentre os milhões de páginas publicadas, para proteger inocentes.”

O Departamento destacou ainda que está “trabalhando 24 horas por dia para resolver a questão” e “até o momento, 0,1% das páginas publicadas” continham informações não omitidas que poderiam identificar vítimas.

O DOJ publicou milhões de arquivos relativos a Epstein, desde que uma lei obrigou sua publicação no ano passado. Eles incluem três milhões de páginas, 180 mil imagens e 2 mil vídeos, publicados na última sexta-feira.

Esta publicação veio seis semanas depois que o Departamento perdeu o prazo sancionado em lei pelo presidente americano, Donald Trump, sob pressão bipartidária do Congresso, obrigando que todos os documentos relativos a Epstein viessem a público.

Acusado de tráfico sexual, Epstein morreu em uma cela de prisão em Nova York no dia 10 de agosto de 2019, enquanto aguardava julgamento.

Informações: BBC News

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