A ministra Cármen Lúcia, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou nesta quarta-feira (25) que o processo sobre o caso Marielle Franco tem feito mal a ela e destacou a violência de gênero que permeia a morte da vereadora. “Matar uma de nós é muito mais fácil”, disse, durante o voto. Cármen é a única mulher do STF e formou maioria ao votar para condenar os acusados.
Na fala, Cármen Lúcia afirmou que mulheres em posição de destaque são vistas como referências, mas “Sabe aquela que está ao lado daquela mulher morena?’, ‘Sabe aquela ao lado da de cabelo branco?’ Nós somos referência. Somos quase, muito parecidas com sujeitos de direito, mas ainda não temos a integridade de reconhecimento pleno. Então, matar uma de nós é muito mais fácil. Matar fisicamente, matar moralmente, matar profissionalmente. É muito mais fácil. Continua sendo”, afirmou, ressaltando que matá-la seria mais fácil do que tirar a vida dos demais ministros homens presentes na sessão.
A ministra destacou, ainda, como a análise do caso a afetou diretamente.
“Sabe aquela que está ao lado daquela mulher morena?’, ‘Sabe aquela ao lado da de cabelo branco?’ Nós somos referência. Somos quase, muito parecidas com sujeitos de direito, mas ainda não temos a integridade de reconhecimento pleno. Então, matar uma de nós é muito mais fácil. Matar fisicamente, matar moralmente, matar profissionalmente. É muito mais fácil. Continua sendo”, afirmou, ressaltando que matá-la seria mais fácil do que tirar a vida dos demais ministros homens presentes na sessão.
A declaração foi dada durante o julgamento da ação penal contra os cinco acusados de planejar o assassinato da vereadora Marielle Franco, em março de 2018, no Rio de Janeiro. Na ocasião, o motorista de Marielle, Anderson Gomes, também morreu.
“Me pergunto quantas Marielles o Brasil permitirá serem assassinadas até que se ressuscite a ideia de justiça nessa pátria de tanta indignidade? Quantos Andersons ainda vamos ver chorar, quantas Luyaras, Arthur vão ficar órfãos para que o Brasil resolva que isso não pode continuar e que o estado de Direito não é retórica”, disse a ministra.
Segundo Cármen, a morte de Marielle e Anderson é uma “ferida não tem cura”. “O que não se conseguiu, ainda, foi assassinar o processo democrático e nem matar a resistência imperativa que se põe para que a falência institucional não predomine e que se recupere o país desse quadro”.
Condenação
Mais cedo, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, votou para condenar os cinco acusados. O ministro Cristiano Zanin acompanhou o voto do relator na íntegra.
“A questão das mortes na democracia vem sendo muito estudada. Em recente estudo, de janeiro de 2026, é citado o número de crimes políticos com a infiltração do crime organizado nos parlamentos. Um desses casos é o caso de Marielle Franco. As democracias enfrentam desafios crescentes, ascensão da direita e infiltração do crime organizado”, afirmou.
De acordo com Moraes, durante seu voto, as ações de Marielle, na época, estavam “peitando” os interesses de milicianos e o crime evidencia “um episódio de violência política de gênero” para “interromper a atuação de uma mulher”.







