Darren Beattie, enviado do governo Trump para o Brasil, tem seu visto revogado para a viagem que iria fazer ao país, na próxima semana. Para Brasília, houve “má-fé” por parte do representante americano ao solicitar a autorização e não revelar, nos documentos, que o objetivo era o de visitar Jair Bolsonaro na prisão.
A medida amplia o mal-estar entre os dois governos que, até agora, não conseguiram encontrar uma data comum para um encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Enquanto os desentendimentos aumentam, parece ficar cada vez mais distante a chance de uma viagem do brasileiro à Casa Branca.
Para o governo brasileiro, ceder apenas para que a reunião ocorra não seria a estratégia mais adequada para defender a soberania do país. A avaliação de Brasília é de que Trump “respeita quem se respeita” e, se não houver a viagem, “não será o fim do mundo”.
Fim da “química”?
Ainda assim, a lista dos embates entre Brasil e EUA volta a crescer, colocando em questão a suposta “química” entre os dois presidentes.
- Não existe acordo sobre como tratar dos grupos criminosos, com os EUA insistindo que precisam ser qualificados como terroristas;
- As tarifas ainda não foram todas retiradas;
- Novas investigações comerciais foram abertas contra o Brasil;
- Brasil rejeitou pedido de Trump para receber estrangeiros deportados:
- Ministros e autoridades brasileiras continuam com vistos suspensos para ir aos EUA.
Visto
E, agora, os vistos voltam ao centro da agenda. O Itamaraty, por sua parte, insiste que apenas está adotando as mesmas regras que existem nos EUA caso um pedido de visto venha com informações falsas.
No último dia 6, Beatti pediu visto ao consulado do Brasil em Washington e, numa nota oficial do Departamento de Estado, alegou que faria a viagem para ter reuniões oficiais com o governo Lula e para participar de um evento sobre minérios raros.
O Brasil concedeu o visto, sem questionamento. Mas, no dia seguinte, foi anunciado que ele iria visitar Jair Bolsonaro na prisão e que havia solicitado autorização ao ministro Alexandre de Moraes, no STF.
Beatti é próximo aos filhos de Bolsonaro e, nas redes sociais, questionou a eleição de Lula no Brasil e com frequência ataca a esquerda.
Para o governo brasileiro, ficou evidenciado que existiu uma manobra na solicitação de vistos e que nenhuma reunião estava organizada para ocorrer com as autoridades nacionais.
A avaliação de Brasília era de que ele ganhou o visto a partir de uma informação falsa e que, portanto, o documento deveria ser cancelado. O Itamaraty, nesta sexta-feira, confirmou que houve o cancelamento do visto.
O governo Lula insiste que visitar a oposição não é proibido. Mas o gesto de negar informação na concessão do visto foi recebido como uma provocação por parte da ala mais radical do trumpismo.
A revogação do visto, portanto, foi uma forma de colocar um limite às atitudes do Departamento de Estado.
Lula vincula revogação ao visto negado para Padilha
Num discurso nesta sexta-feira, Lula vinculou a revogação do visto norte-americano ao fato de que Trump tenha vetado a entrada do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. “Eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar os vistos do meu ministro da Saúde, que está bloqueado”, disse Lula.
A revogação, porém, não cita a reciprocidade entre os dois países e fala apenas na informação enganosa do pedido dos EUA.
“À época do referido pedido ao consulado-geral, não constava qualquer menção a eventual interesse do visitante em realizar encontros ou visitas não relacionadas aos objetivos oficialmente comunicados. Assim, o processamento e a concessão do visto ocorreram exclusivamente com base na justificativa então apresentada pelo Departamento de Estado”, disse.
Informações: CL Notícias







