Enquanto a população de Manaus sofre diariamente com a precariedade da infraestrutura, ruas esburacadas e a ausência de políticas públicas efetivas, a Câmara Municipal foi palco de uma proposta inusitada. O vereador Aldenor Lima (União Brasil), médico veterinário e defensor da causa animal, apresentou o Projeto de Lei 481/2025, que institui o 8 de agosto como o “Dia Municipal do Gato”.
A justificativa do parlamentar é promover a proteção e valorização dos felinos, incentivando a adoção responsável, a esterilização e o combate a maus-tratos. O texto prevê campanhas educativas, feiras de adoção, palestras e até atendimentos veterinários básicos em alusão à data.
No entanto, a proposta causa estranheza diante do cenário caótico vivido na capital. A população enfrenta diariamente engarrafamentos intermináveis, buracos em praticamente todas as zonas da cidade, cheias a cada período de chuva e transporte público precário. Diante disso, muitos cidadãos questionam se a criação de um “Dia do Gato” deveria ser, de fato, prioridade no Legislativo municipal.
Vale lembrar que os felinos já possuem duas datas no calendário internacional: 17 de fevereiro (Dia Mundial do Gato), instituído na Itália, e 8 de agosto (Dia Internacional do Gato), criado em 2002 pela ONG International Fund for Animal Welfare (IFAW). Ou seja, a iniciativa do vereador apenas replica uma comemoração já existente.
A defesa da causa animal é legítima e necessária, mas a crítica central é a desconexão entre as prioridades da população e a agenda de alguns parlamentares. Enquanto faltam políticas públicas para resolver problemas estruturais que afetam milhões de manauaras, sobra tempo para projetos de impacto limitado e caráter meramente simbólico.
No fim, a pergunta que fica é: Manaus precisa de mais um “Dia do Gato” ou de vereadores comprometidos em enfrentar os problemas urgentes da cidade?







