Dois ex-integrantes do alto escalão do Instituto Nacional do Seguro Social, o INSS, estão em fase avançada de negociações para delação premiada. O ex-procurador Virgílio Oliveira Filho e o ex-diretor de Benefícios André Fidelis, presos desde novembro, teriam citado o empresário Fábio Luís Lula da Silva e detalhado a suposta participação de agentes políticos no esquema investigado pela Polícia Federal.
Entre os nomes mencionados, aparece Flávia Peres, ex-ministra no governo Jair Bolsonaro, cujo envolvimento é apontado como inédito no caso. As investigações apuram um sistema de descontos considerados ilegais em aposentadorias e benefícios, que teria movimentado cifras milionárias por meio de acordos firmados dentro da autarquia.
De acordo com os investigadores, Virgílio Oliveira Filho é suspeito de receber repasses que somariam R$ 11,9 milhões, parte deles atribuída a empresas ligadas a Antônio Carlos Camilo Antunes. A PF também identificou evolução patrimonial relevante, incluindo aquisição de imóvel de alto valor em Curitiba e movimentações associadas a Balneário Camboriú. Já André Fidelis é investigado por suposto recebimento de R$ 3,4 milhões em vantagens indevidas.
O caso integra os desdobramentos da Operação Sem Desconto e segue em apuração. As defesas negam irregularidades ou questionam a existência de delações formalizadas. No Congresso, o tema também repercute: o deputado Alfredo Gaspar afirmou que a gestão de Fidelis concentrou volume recorde de acordos com entidades, entre elas a Contag, hoje sob análise das autoridades.







