Em meio à crise do petróleo, Trump prevê fim da guerra contra Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na sexta-feira (20) que está considerando “encerrar” as operações militares contra o Irã. Pelas redes sociais, o republicano disse que as tropas estão próximas de alcançar os objetivos do país, com a destruição do programa nuclear iraniano.

“Estamos muito perto de atingir nossos objetivos militares em relação ao regime terrorista do Irã: degradar completamente a capacidade de mísseis iranianos, lançadores e tudo o que lhes diz respeito; destruir a Base Industrial de Defesa do Irã; eliminar sua Marinha e Força Aérea; nunca permitir que o Irã chegue nem perto da Capacidade Nuclear; e proteger nossos aliados do Oriente Médio”, escreveu.

Na publicação, Trump afirmou que, após o fim das operações militares, o Estreito de Ormuz precisará ser “protegido e policiado” por países que utilizam a rota marítima — o que não inclui os Estados Unidos. O republicano reforçou, contudo, que Washington estará disponível para auxiliar na segurança da região caso os países solicitem ajuda, mas que acredita que não será necessário.

“Se solicitados, ajudaremos esses países em seus esforços em Hormuz, mas isso não deve ser necessário uma vez que a ameaça do Irã for erradicada. Será uma operação militar fácil para eles”, afirmou.

Mais cedo, Trump havia descartado um acordo de cessar-fogo com o Irã, argumentando que Washington tem a vantagem na guerra por destruir o Exército iraniano e matar líderes do regime. O presidente citou a possibilidade de dialogar com Teerã, mas reforçou que não quer um cessar-fogo.

“Podemos dialogar, mas eu não quero um cessar-fogo. Sabe, não se faz um cessar-fogo quando se está aniquilando o outro lado. Eles não têm Marinha. Não têm Força Aérea. Não têm nenhum equipamento. Não têm observadores. Não têm defesa antiaérea. Não têm radar. E seus líderes foram todos mortos em todos os níveis. Não queremos isso”, disse Trump, a jornalistas.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para “a defesa de seus interesses e de seus aliados”.

As hostilidades entre Irã e Estados Unidos escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, o que pressiona a economia.

Informações: SBT News

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