
Brasil pode ter inventado o futuro do dinheiro com o Pix, diz economista
- 23-07-2025 10:44
O economista americano Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2008, publicou nesta terça-feira (22/7) um artigo elogiando o sistema de pagamentos brasileiro Pix — e sugerindo que o Brasil pode ter “inventado o futuro do dinheiro”.
O texto, intitulado “O Brasil inventou o futuro do dinheiro?”, foi publicado no jornal The New York Times e compara a inovação brasileira ao impasse dos Estados Unidos sobre a criação de uma moeda digital.
Krugman critica a aprovação do Genius Act, a primeira grande legislação sobre criptomoedas do governo de Donald Trump, e a nova lei que proíbe o Banco Central americano de criar uma moeda digital (CBDC). Para ele, essas decisões reforçam o poder do setor financeiro privado e impedem o avanço de soluções públicas eficientes.
“Mas e quanto à possibilidade de criar uma CBDC parcial? Poderíamos manter contas bancárias privadas, mas fornecer um sistema eficiente e público para fazer pagamentos? Sim, poderíamos. Sabemos disso porque o Brasil já o fez”, escreveu o economista.
Pix como modelo global
Krugman afirma que o Pix funciona como uma versão pública e mais eficiente do Zelle, sistema de pagamentos americano operado por bancos privados.
“Mas o Pix é muito mais fácil de usar. E, enquanto o Zelle é grande, o Pix se tornou simplesmente enorme, sendo usado por 93% dos adultos brasileiros. Parece estar rapidamente substituindo dinheiro em espécie e cartões”, elogia.
O Nobel destaca ainda que o Pix conseguiu alcançar baixas taxas de transação e ampla inclusão financeira, algo que, segundo ele, os defensores das criptomoedas prometeram — mas não entregaram.
“Compare os 93% de brasileiros que usam o Pix com os 2% de americanos que usaram criptomoedas para comprar algo ou fazer um pagamento em 2024”, escreveu.
Críticas aos EUA
O economista critica a resistência dos republicanos americanos à criação de uma moeda digital do banco central, que poderia concorrer com os bancos privados. “Os parlamentares alegam preocupação com privacidade, mas a verdadeira questão é que muitas pessoas optariam por moedas digitais públicas, em vez de contas correntes em bancos”, argumenta.
Para Krugman, o sistema financeiro dos EUA é “poderoso demais” para permitir iniciativas semelhantes ao Pix. “Outras nações podem aprender com o sucesso do Brasil. Mas os EUA provavelmente continuarão presos a uma combinação de interesses pessoais e fantasias cripto”, conclui.
Brasil como exemplo
Krugman também elogia a política brasileira por promover inovação financeira, em contraste com os EUA: “A maioria das pessoas provavelmente não considera o Brasil um líder em inovação financeira. Mas a economia política do Brasil é claramente muito diferente da nossa — por exemplo, eles realmente julgam ex-presidentes que tentam anular eleições”, escreveu.
O Banco Central brasileiro estuda a criação de um real digital, que coexistirá com o dinheiro físico, e o Pix pode ser considerado um primeiro passo nessa direção.
Recentemente, Krugman também criticou as tarifas anunciadas por Trump contra o Brasil, classificando-as como um “programa de proteção a ditadores” e chamando as políticas do republicano de “demoníacas e megalomaníacas”.