
Dólar recua e Ibovespa sobe após fala de Haddad sobre tarifaço dos EUA
- 21-07-2025 11:39
Nesta segunda-feira (21/7), o dólar operava em baixa frente ao real, enquanto o Ibovespa apresentava alta moderada, em meio à repercussão das declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre o tarifaço imposto pelos Estados Unidos contra o Brasil. A nova tensão comercial surgiu após o governo norte-americano, liderado por Donald Trump, anunciar tarifas de 50% sobre todos os produtos brasileiros, com início previsto para 1º de agosto.
Dólar cai após fala de Haddad
Às 11h31, o dólar caía 0,36%, cotado a R$ 5,568. Mais cedo, às 9h36, a moeda norte-americana já apresentava recuo de 0,26%, sendo negociada a R$ 5,573. Durante a manhã, a cotação oscilou entre R$ 5,556 (mínima) e R$ 5,611 (máxima).
Na sexta-feira passada (18/7), o dólar havia fechado em alta de 0,73%, a R$ 5,58. No acumulado de julho, a moeda soma alta de 2,83%, mas segue com queda de 9,58% no acumulado do ano.
Bolsa tenta recuperação
O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira (B3), operava em alta de 0,69% por volta das 11h33, aos 134,3 mil pontos. O desempenho reflete a tentativa de recuperação após a queda de 1,61% registrada no último pregão da semana passada, quando o índice encerrou aos 133,3 mil pontos.
Mesmo com o avanço de hoje, o indicador ainda acumula queda de 3,94% em julho. No ano, porém, a alta segue significativa: 10,89%.
Haddad reforça compromisso com diálogo
Em entrevista à Rádio CBN na manhã desta segunda, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o Brasil “não sairá da mesa de negociação” com os Estados Unidos, mesmo diante do anúncio de tarifas que atingem todas as exportações brasileiras.
“O Brasil jamais saiu e jamais sairá da mesa de negociação. Não há compreensão de nossa parte de que essa situação perdure, pois é danosa para os dois países”, afirmou Haddad.
Segundo ele, o governo Lula já enviou duas comunicações formais ao governo norte-americano — a mais recente na semana passada — e elabora um plano de contingência para lidar com a possível implementação do tarifaço.
Motivações políticas por trás das tarifas
A medida foi anunciada por Donald Trump, sob justificativa de “abusos e injustiças” cometidos pelo Judiciário brasileiro contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), aliado do norte-americano. Bolsonaro é alvo de investigações por tentativa de golpe de Estado.
Além disso, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) abriu uma investigação formal contra o Brasil por supostas práticas comerciais desleais, citando disputas judiciais com plataformas digitais dos Estados Unidos como exemplo.
Governo prepara medidas de resposta
Sem detalhar quais seriam as ações, Haddad afirmou que o governo está se preparando para todos os cenários, inclusive o de ausência de resposta americana até o dia 1º de agosto. Ele indicou que as medidas de contingência podem envolver apoio a setores impactados pela medida de Trump.
“Pode ser que tenhamos de recorrer a instrumentos de apoio a setores que estão sendo afetados injustamente. E são setores com décadas de parceria com os EUA”, explicou.
O ministro destacou que tais medidas nem sempre implicariam aumento de gasto primário, citando como exemplo a ajuda ao setor produtivo do Rio Grande do Sul, após as enchentes de 2024.