O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, completa neste sábado (4) um mês desde que foi preso, enquanto avançam as negociações para um possível acordo de delação premiada. As revelações podem ter desdobramentos em Mato Grosso do Sul, especialmente em um esquema milionário investigado na cidade de Iguatemi, que envolve suspeitas de atuação do PCC (Primeiro Comando da Capital) em postos de combustíveis.
Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, Vorcaro tenta firmar um acordo de colaboração após ter sido alvo da terceira fase da Operação Compliance Zero. A prisão foi determinada pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), sob a suspeita de tentativa de interferência nas investigações relacionadas à instituição financeira que ele fundou.
A possibilidade de delação ganhou força após a Segunda Turma do STF formar maioria para manter a prisão do ex-banqueiro, ainda de acordo com o portal.
Vorcaro já assinou um termo de confidencialidade junto à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República — um movimento considerado inédito, já que as duas instituições atuam em conjunto nesse tipo de negociação.
A defesa agora trabalha na coleta de documentos e informações que devem embasar a proposta de delação. Esse levantamento pode levar cerca de 45 dias, antes do início dos depoimentos.
Com o material em análise, a Polícia Federal vai avaliar se há conteúdo relevante e inédito que justifique o avanço do acordo. Entre os pontos esperados estão a citação de outros envolvidos, possíveis conexões com organizações criminosas e a identificação de beneficiários de fraudes financeiras.
Investigadores também querem esclarecer se houve participação ou apoio de agentes políticos no esquema.
Caso a colaboração seja considerada consistente, a delação poderá avançar oficialmente. Após essa etapa, a defesa pretende solicitar a substituição da prisão por medidas como domiciliar ou uso de tornozeleira eletrônica.
Nos bastidores, as apurações também indicam possíveis conexões entre o sistema financeiro e práticas de lavagem de dinheiro, o que pode ampliar o alcance das investigações — inclusive com reflexos diretos em Mato Grosso do Sul.






