Após mais de 40 anos de abandono e debates intensos, o governo federal, sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deu início ao processo para asfaltar o chamado “trecho do meio” da rodovia BR-319, considerado o segmento mais crítico da estrada que liga Manaus a Porto Velho.
O avanço ocorre com o lançamento do edital de licitação para a pavimentação de um primeiro lote de cerca de 30 quilômetros. A área contemplada fica na região entre o distrito de Realidade e o município do Careiro, dentro de um trecho historicamente marcado por atoleiros, isolamento e falta de infraestrutura.
A obra integra um plano mais amplo de recuperação da rodovia, especialmente no intervalo entre os quilômetros 250 e 590, considerado o “coração” da BR-319. O investimento previsto para essa etapa inicial gira em torno de centenas de milhões de reais, com expectativa de início das obras ainda em 2026.
Isolamento histórico
Construída na década de 1970, a BR-319 foi abandonada a partir dos anos 1980, tornando-se praticamente intrafegável em longos trechos. Desde então, a ligação terrestre do Amazonas com outras regiões do país ficou comprometida, aumentando a dependência do transporte fluvial e aéreo. Moradores, empresários e autoridades locais defendem a recuperação da estrada como essencial para reduzir custos logísticos, facilitar o acesso a insumos e ampliar a integração regional.
Impasse ambiental
Por outro lado, o asfaltamento da rodovia sempre enfrentou forte resistência de ambientalistas e órgãos de controle. A estrada corta uma das áreas mais preservadas da Amazônia, próxima a unidades de conservação e terras indígenas. Especialistas alertam que a pavimentação pode intensificar o desmatamento, a grilagem de terras e a ocupação irregular, caso não haja fiscalização rigorosa e políticas de ordenamento territorial.
Novo cenário
O início do processo licitatório é visto como o passo mais concreto dos últimos anos para destravar a obra, embora ainda dependa de licenças ambientais e da execução efetiva dos serviços. O governo afirma que o projeto será acompanhado de medidas de proteção ambiental e monitoramento, enquanto críticos defendem cautela e maior transparência.
A publicação do edital deve ocorrer nos próximos meses. Após a conclusão da licitação, será definida a empresa responsável pela execução das obras. Apesar do avanço, o futuro da BR-319 ainda depende do equilíbrio entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental, um debate que segue no centro das decisões sobre a Amazônia.







