Bolsonaro diz que violou tornozeleira por “alucinação” causada por pregabalina e sertralina

Em audiência de custódia, o ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou que tentou violar sua tornozeleira eletrônica por conta de “paranoia” e “alucinações” geradas pela combinação de dois medicamentos: pregabalina e sertralina

Segundo a ata do depoimento, Bolsonaro relatou que, entre a noite de sexta-feira (21) e a madrugada de sábado (22), passou a acreditar que havia um dispositivo de escuta dentro do monitor usado no tornozelo, e por isso tentou abrir a tampa com um ferro de solda.

Ele disse à juíza Luciana Yuki Fugishita Sorrentino, auxiliar do ministro Alexandre de Moraes (STF), que os remédios foram prescritos por médicos diferentes e “interagiram de forma inadequada”, o que teria desencadeado a “certa paranóia”.

A defesa de Bolsonaro argumenta que ele passou a tomar a pregabalina apenas quatro dias antes do episódio, o que estaria relacionado ao surto. De acordo com ele, os médicos da sua equipe suspenderam a medicação após os sintomas se manifestarem.

Especialistas consultados por veículos de imprensa explicam que tanto a pregabalina (usada para dor neuropática ou ansiedade) quanto a sertralina (antidepressivo) podem, em casos raros, provocar efeitos adversos como alucinações. Médicos de Bolsonaro confirmam que foi feita uma reavaliação de sua medicação, com ajustes para evitar novas reações.

A juíza manteve a prisão preventiva de Bolsonaro, e a alegação de surto medicamentoso compõe a argumentação da defesa para considerar uma eventual conversão para prisão domiciliar ou medida mais branda, devido à fragilidade de seu estado de saúde.

Compartilhe :

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *